quinta-feira, 17 de abril de 2008

A tua espera.

Sei que existe espaço a mais na minha vida. Há um lugar vazio ao meu lado. Um lugar na mesa, na cama, no chuveiro, no carro, no bar, no cinema e mais e mais.
Queria pensar que não sou assim, que sou só carne e osso. Mas dói-me o corpo de tanta saudade. Dói-me tudo, o olhar, o gosto, o tacto. A tua ausência provoca-me dor. Uma dor que não é física, que é apenas a marca da tua ausência.
As vezes dou por mim, a observar outros casais e imagino nós dois a fazermos o mesmo. Um beijo cúmplice, as mãos dadas, um olhar, assim seríamos nós, um só em dois.
Imagino cada passo da nossa história, as conversas, os gestos, as aventuras. Nós a construirmos um caminho, na areia da praia, nas ruas, nos trilhos, eu e tu lado a lado como dois guerreiros, a lutar por algo maior e melhor.
Sinto a tua falta, juro que sim, quando vou aos jantares de família, quando o pessoal se junta, quando estou só.
É mais do que me é biologicamente inato, do que a sociedade espera de mim, é mais que isso. É eu querer viver tudo nesta vida e querer vive-lo contigo, é eu querer gritar ou segredar o que sinto, o que vejo, o que quero a ti, só a ti.
Toda a vida tenho estado, falado, sentido com os outros, agora quero a ti. Conto os dias, a querer que chegues o quanto antes, o tempo que passa não volta. A vida é curta eu sinto que é, não sei se viverei outra e se nessa outra te encontrarei de novo. Não quero pensar nisso, quero o aqui e o agora, quero poder escrever no ar a nossa história, porque nada é eterno, nem as pedras, e muito menos o amor. É mentira o que dizem, o amor só é eterno enquanto dura na nossa memória e eu quero construir na nossa memória um amor que dure para nós enquanto quisermos.
Hoje estou a tua espera, a espera que chegues, para começarmos a nossa história, para iniciarmos o caminho. Não conheço o teu rosto, não sei quais serão as tuas primeiras palavras, o que sei é o que tenho, o que guardei só para ti, imagens, palavras, cheiros, ideias, que guardo imaculadas para ti.

Hoje espero que o amor chegue a qualquer momento.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O corpo é que paga!

10 da manhã encontro-me já a trabalhar e dói-me a cabeça pá caraças. Ponho uma música do António Variações “ O corpo é que paga” parece-me sempre adequada as minhas dores de cabeça. E começa ele “quando a cabeça não tem juízo, quando te esforças mais do que é preciso o corpo é que paga”. Mas a minha parte preferida é “deixa-o pagar, deixa-o pagar se tu estás a gostar” seguida do “deixa-o sofrer se isso te dá prazer”.

Sei de coisas que dão cabo de mim, mas mesmo assim não me emendo, rendo-me sou humana e nós os humanos erramos e até gostamos de errar ou será pecar, bem não vamos por aí.

Álcool – mais de 3 copos e já estou cantar mal e porcamente como é obvio.

Melos – 1 hora de melos e é certo um torcicolo.

Bairro Alto – Bairro Alto e saltos altos não combinam. Bairro Alto, saltos altos e “bubida” muito menos.


O que vale é que a amnésia consciente permite-me repetir esta cena vezes e vezes sem conta. Tenho amigos que sabem muito e gostam de me apanhar desprevenida e rir as minhas custas, porque sabem que é difícil apanharem-me assim. O que vale é que são esses mesmos amigos, que me carregam ao colo, quando já não aguento com dores nos pés e que vão buscar água com gás para acalmar a euforia. Quanto aos melos, acreditem em mim que não é só o corpo que paga.

terça-feira, 1 de abril de 2008

O.X.E.S.

A pedido de muitos leitores, passarei a abordar um tema muito importante nas nossas vidas. Um tema fundamental para o continuidade da humanidade, um tema que pode fazer muita boa gente corar. Um tema que tem de ser abordado de forma directa, objectiva e simples. Sim é isso mesmo vou falar de SEXO, e vou vós contar todos os detalhes, os necessários e mesmo os que não interessam a ninguém.
Irei abordar as técnicas mais usuais, as indumentárias mais ousadas, os desejos mais escondidos, taras e mais, serão acompanhados de testemunhos reais, de gente que sabe o faz, com quem faz e quando.
Sei que muita boa gente irá beneficiar com esta nova abordagem. O dever da partilha de informação assim me obriga, será um serviço público.




Hoje é dias das mentiras não é?

quinta-feira, 27 de março de 2008

Enamora-te

Lembrei-me agora de como é bom estar apaixonado. É claro que é lixado se não somos correspondidos, mas isso são outros tostões. Quero vós falar da energia que empenhamos e transmitimos quando estamos apaixonados. É fantástica, desde da hora que nos levantarmos até ao deitar.
Se for preciso andamos o ano todo molengões, frustrados a nos queixarmos da vida, mas se estamos apaixonados, temos pica para tudo, ui e ninguém nos pára.
Olhamos pela janela para os ver chegar, pulamos de alegria, ajeitamos a casa, o cabelo, a roupa. Aquele frio na barriga antes dele ou dela chegar, toca a campainha e tentamos ter o melhor ar possível.
Um toque, um beijo, uma palavra tomam proporções gigantescas. Revivemos durante horas ou dias e em alguns casos anos, aquele toque, aquele beijo, aquela palavra, como se fosse o bem mais precioso e nessas alturas é mesmo.
Quando estamos apaixonados, nem nos apercebemos o quanto chatos somos, há os extrovertidos que bombardeiam os amigos com todas as informações, “ ele faz assim, ela é assado…” enfim temos que ouvir e calar. Depois há os introvertidos, aqueles que andam com um sorriso muito parvo e que quanto mais perguntamos, menos nos dizem. E aliás torna-se verdadeiros “acrobatas” Experimentem ”E então ela é fixe?” a resposta é um sorriso ainda mais parvo, um deslizar de perna descrevendo um meio circulo no chão, mordiscam o lábio, não esquecendo o baixar da cabeça como se estivessem envergonhados e quando damos por eles, já nós desapareceram da vista e quanto a ela ou ele nada.
Estar apaixonados torna-nos mais bonitos, mais alegres, mais fáceis de lidar.
Eu decidi que está é a melhor forma de estar na vida. Apaixono-me por tudo o que gosto, e vivo esse amor até achar outro. Pois está claro, que estes amores não são eternos, mas nada o é na vida, portanto dure o que durar o importante é sentir a energia de estar apaixonado e aproveitar o momento. Costumam dizer “nada como um amor para curar o desgosto de outro” e é bem verdade. Tudo bem, sofrer de amor é lixado, mas passado o período de dor, não percamos tempo, a vida é demasiado curta para a passarmos a choramingar pelos cantos. Com o início da primavera, a natureza começa a namorar, e nós? Porque não nos enamoramos também.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Essas vidas

Quando conheço alguém dou-me ao trabalho de lhe dedicar tempo, não é tempo real, porque são só os meus sentidos que estão em alerta para absorver, os primeiros gestos, o aroma, o espaço, o som desta nova pessoa que se cruza no meu caminho. Tento obviamente fazer isso discretamente, as vezes percebo que do outro lado estão a fazer o mesmo. Há quem faça disto uma arte, há quem avance as perguntas essenciais e desarmantes logo nos primeiros momentos. Há também quem não pergunte nada de importante ou ao menos à partida assim parece, que não é nada de importante.
Naqueles breves momentos de avaliação, percebemos a dimensão do outro, percebemos quem vai conduzir a conversa, quem vai dominar. E digo não estou a falar de homens, estou a falar dos dois géneros.
Existem pessoas que vivem vidas tão distintas das nossas, lembro-me do dia que conheci um “puto” com 20 anos que já conduzia um Porsche Cayenne e não foi o papá que lhe deu, nem andou em negociações ilícitas. Trabalhou, é verdade trabalhou mesmo. Tem uma maneira de estar, de falar, que parece conter o mundo inteiro naquela cabeça. Um génio? Tenho as minhas dúvidas, não sei, para mim continua a ser um “puto”, especial é certo.
O Sr. Manuel é outra das pessoas que fazem parte da minha colecção especial “ A vida mirabolante dos outros”. O Sr. Manuel é o mecânico do meu carro, tem o ar exactamente de mecânico, mas daqueles à moda antiga de macacão azul anil, todo machado de óleo e derivantes. Num dia em que a minha paciência para os assuntos mecânicos já se esgotara, o Sr. Manuel volta-se para mim e diz-me “ A menina tem de ter mais calma, anda sempre stressada, ande-la comigo que vou-lhe mostrar uma coisa” E lá fui atrás do Sr. Manuel, lá para o fundo do quintal. Subimos uma escada entramos numa pequena sala, fiquei estupefacta a olhar para a sala, parecia que tinha entrado numa outra época, os anos sessenta ou seria setenta, as paredes bem decoradas com pin ups, discos de vinil muito bem arrumados, vários cristais, troféus, tudo muito antigo, mas muito cuidado estilo museu. E lá foi o homem pôr música. E eu a olhar para ele de braços cruzados, a pensar mas que cena, com o meu carro por arranjar e ando nisto. Ele agia quase como se eu nem estivesse ali, preparou as cadeiras na varanda, abriu o armário e tirou uma caixa de madeira. Disse para me sentar na varanda, levou a caixa para a mesa e abriu, estava cheia folhas de tabaco, vários cachimbos, cigarrilhas, charutos. E diz ele “escolha o que quiser, mas seja ambiciosa”. Ai a minha vida, escolha o que quiser, mas eu nem fumo. Lá fiz a vontade ao homem, disse que queria um charuto e ele sorriu, disse “ boa escolha, vou te acompanhar e fumar também um, agora faz o que eu fizer”. Lá fez ele um ritual de preparação ao qual eu segui. Acabei por me acalmar e esquecer das horas, do carro, que se lixe pensei eu, mas meia hora menos meia hora. Comecei a fumar e começa ele “ Reparou nas coisas que tenho na sala, imagino que nem saiba de onde elas vêm, pois minha menina tal como o charuto que está a fumar elas vêm de Cuba e tal como eu e eu nem me chamo Manuel…” e por ali continuou a contar a sua historia incrível e eu a fumar charuto.

Lembro-me de quando conheci a Teresa, via-a quase todos os dias, trabalhávamos no mesmo prédio, bonita, sempre com um ar impecável, capaz de fazer revirar os olhos de qualquer homem. Ficamos presas um dia no elevador as duas sozinhas. O arranjo ia levar no mínimo uma hora, as únicas palavras que já tínhamos trocado eram os cumprimentos habituais. E ali estávamos as duas. Conversa puxa conversa, lá fomos fazendo um historial das nossas vidas, até que eu em tom de ironia, digo “ Qualquer homem neste prédio, quereria trocar de lugar comigo, só para estar aqui contigo, com a boazona escritório ” ao que ela responde “e eu não quero nenhum, a minha fantasia é estar presa num elevador exactamente com uma mulher”. Primeiro rimos mas depois comecei a ficar um pouco incomodada. Que queria ela dizer ao certo com aquilo ainda nem tinha acabado de raciocinar e já ela dizia “ sou lésbica”. Não consegui suster as gargalhadas, ri-me tanto que já estava a chorar. Ela ria-se e dizia “ eu sei é irónico”.

Há pessoas muito interessantes, que mostram logo como são, há outras intrigantes, pura novidade a cada palavra a cada gesto.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Apresento-vós o meu amigo Juan Talavera

Amigos e amigas tenho o prazer de vós dar a conhecer um amigo meu. Ele chama-se Juan.
O Juan trabalha como cooperante da UNICEF no Peru. É voluntário num mundo onde nós, nem para os nossos as vezes somos.
Quando falo do Juan o meu coração fica pequenino, fica apertado com tanta emoção, pois admiro muito a sua coragem e determinação.
Ele está distante, está na América Latina onde o seu trabalho é muito necessário.
Ele saiu do seu país, do conforto do seu lar, deixou familiares e amigos, partiu para longe para ajudar quem mais precisa. Lembro-me das primeiras fotos que me enviou, tiradas no outro lado do mundo, sempre com um sorriso próprio de quem sabe o verdadeiro valor da vida. Longe do conforto que nos habituamos, o Juan convive diariamente com as calamidades, que nós podemos fugir simplesmente desligando a televisão.
O Juan é daqueles amigos que gostamos muito, mas não sabemos quase nada sobre eles, o que sabemos é suficiente. Não sei se gosta de laranjas, não sei a sua cor preferida, nem qual o seu clube de futebol. O que eu sei é que ele tem um coração grande e que é muito corajoso e isso para mim, é tudo o que preciso de saber.
Acredito que tal como o Juan, podemos ser heróis, podemos começar pelas coisas pequenas, por disponibilizar o nosso tempo, o nosso ombro ou o que realmente não nós faz falta. Como ele próprio disse

“Mucha gente pequeña…en muchos lugares pequeños…Harán cosas pequeñas…que transformarán el mundo…”

Gosto muito do Juan, ele é meu amigo, tenho amigos maiores que a própria vida.

Obrigada por fazeres o bem!
http://blog.unicef.es/?p=57 para conhecer o seu trabalho.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Kit fim-de-semana em casa

Porque as vezes o dia a dia faz-nos esquecer que apimentar a vida também faz falta.

Kit Básico de fim-de-semana em casa:

1 Garrafa de vinho
1 Caixa de bombons
Ligerie sexy

Para o Kit Ideal acrescentar:
1 Cd de jeito

Para o Kit Sofisticado acrescentar:
Velas
Sais de banho

Para o Kit Premium acrescentar:
O famoso Kamasutra.

Simples e fácil é só acrescentar uma boa dose de energia e imaginação. Bom fim-de-semana.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

São Valentiiiiiiiiimmm

A pedido da minha própria consciência, a qual eu escuto só quando me convêm, vou ter de falar sobre o dia de São Valentim.

É um dia chato, terrível, massacrante, deprimente, para a maior parte dos solteiros e comprometidos.

É um dia maravilhoso, bonito, emotivo, fantástico para a maior parte dos solteiros e comprometidos.

Enfim, pode ser isso tudo independentemente de termos o coração ocupado ou não, o dia de São Valentim pode ser uma ida ao céu ou uma excursão ao inferno.

Há quem se empenhe o ano todo e mais ainda neste dia, a quem não se empenhe o ano todo e só se lembre neste dia e há quem não festeje o dia por não precisar e há quem gostava de festejar o dia.

Neste voo o que aconselho é que sozinhos ou acompanhados o que interessa é estarmos bem, ao lado de quem amamos, seja o namorado, o amante, a família, o cão ou o mundo. O que interessa é que no dia em que se festeja o amor, independentemente da forma em que ele se apresenta devemos deixar que este inunde o nosso coração.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Por cima ou por baixo.

Tou f*, juro que estou, eu sei, não é preciso ficarem com cara de espanto eu também fico F* e com F grande. Eu já não sei o que fazer, adormeço a pensar em como vou acordar ou então adormeço já a praguejar.
Mudei de casa há cerca de um ano, e por esta altura atingi o meu limite, é que eu que até me considero uma pessoa tolerante, compreensiva e blá, blá, blá, já estou quase louca.
E sim vou fazer queixinhas, a minha vizinha de cima, deve ser hippie, se não é parece, todos os dias de manhã arrasta qualquer coisa pela casa toda, que no meu ver só pode ser uma caravana. Como montar acampamento em terrenos alheios pode acabar em prisão, ela resolveu fazer isso dentro de uma casa. Acordo com a sensação de que um comboio esta a passar pelo tecto do meu quarto. E como não bastasse, tem um gosto musical que valha-me nossa senhora, é com cada mistura, Sting com Ágata em seguida toma U2 que a Romana já canta, não me parece ser fã do Zé cabra, mas também era já só o que faltava. No início ainda pensei que eles tinham um dia fixo para receber os amigos em casa, parecia ser sempre a quinta, depois passou para a terça e agora já não sei, é que lá para duas da manhã junta-se a tribo e toca pular como se não houvesse amanhã ao som de um heavy metal manhoso. E quando fala ao telefone, é pá ao sábado de manhã deve telefonar a mãezinha lá na terrinha, é dar com ela literalmente aos gritos ao telefone. A mãezinha deve ser surda, se não é, por este andar já deve estar com tamanha guinchada.
Mas cantoria a sério é a da minha vizinha de baixo, mesmo com todas as portas e janelas fechadas eu consigo ouvi-la cantar e minha gente é de fazer chorar a minha alma. Ela se não foi fadista, deve ter ambicionado. Eu gostava que ela tivesse sido e penso nisto já com as lágrimas nos olhos. Ela devia ter tido essa sorte e gostaria também que ela tivesse tido muita fama e ganho muito dinheiro, porque assim seria certo que não iria viver no andar de baixo mas sim num condómino qualquer e bem longe daqui. A mulher canta mal que se farta, mal a oiço e o meu cérebro começa “ cana rachada, cana rachada” e como se não bastasse repete várias vezes a mesma frase e acaba sempre a última palavra com um uivo. E isto acontece todos os dias em que posso dormir mais um pouco.
O que me vale são os filhos dos outros vizinhos, é que o meu prédio esta cheio deles. E por mais que gostasse nenhum deles vive nem em cima nem debaixo de mim, quer dizer do meu andar. Rapazes atléticos, bonitos e cavalheiros e com cada rabiosque, que quando os encontro no elevador que é tão apertado, fazem me esquecer que estou quase a ficar louca e surda, mas que em contrapartida a minha visão está a melhorar a cada dia.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O nosso momento!


Sentada olho para esta paisagem magnifica. Saboreio este momento e espero que passe bem devagar. A medida que o sol se despede este beija a minha face. Sopra uma brisa tão leve, mas que ainda assim consegue balançar o meu cabelo. Chego a pensar que é verão, mas não é, é mais uma tarde de Inverno. E que bela tarde. São em momentos singulares como este, que penso que gostaria ter a meu lado quem não está. Gostaria que estivessem algumas pessoas, que eu sei que apreciam estes momentos como uma dádiva, pessoas que esquecem por momentos as suas dores, frustrações, tristezas para viver uns minutos de paz, beleza e perfeição. Pessoas que entendem que há momentos que são de uma riqueza infinita. E que por mais que se viva estes terão sempre o seu valor. São momentos que curam, elevam e que nos fazem sentir especiais, para isso basta parar e apreciá-los.
Respiro fundo e agradeço, agradeço por este pedacinho de céu.


(Das melhores fotografias que já tirei até hoje, acho que captei um momento mágico, não acham?)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Não me levem a mal!

Ninguém me leve a mal, mas não gosto mesmo nada do Carnaval. Não consigo entrar na euforia destes dias. Esta coisa de se disfarçarem, de se fazerem passar por outras pessoas ou por personagens assusta-me, não sou contra, até acho piada mas de longe, do género eu aqui e o pessoal aí a uns 300 metros.

Assusta-me psicologicamente de tal forma que é possível ver a expressão física desses sustos. Começo a sentir um frio na barriga e começo a afastar-me na direcção oposta, por vezes fico tão aterrada que fecho os olhos na esperança que aquela personagem desembarque noutro porto.
Mas o que me assusta de verdade, são as mascarás, assusta-me não saber quem se aproxima de mim, assusta-me não saber quem se esconde ali.
Estes últimos anos convenceram-me e decidi sair para a festa. Não há um único ano que não tenha apanhado um susto valente. No ano passado fui agarrada por um ninja, bem esperneei, mas nem o Homem-Aranha, nem o Zorro, nem o Super-Homem apareceram em meu socorro. O que me irritou mais, foi o facto deste ninja ter pelo menos um 1 metro e 80, e eu não conseguir enfiar dois dedos estilo kung-fu nos seus olhos. E com isto ganho medo de virar uma esquina e ser cumprimentada por uma das personagens de filme de terror, o Freddy, a miúda do exorcista, o Frankenstein ou o Chuck.

“ A vida são dois dias e o Carnaval são três” e que três. Há quem aproveite o Carnaval para se libertar, para extravasar, os disfarces ganham vida por uns momentos e podemos ser outros, sem sermos censurados. Eu acho bem, mas tenho medo.

A esta hora ainda estou a pensar se quero mesmo ir para a festa. Estou a pensar se valerá a pena, sentir o arrepio na espinha, cada vez que me volto e vejo um drácula (ou cem), a velhota mais feia, ou o monstro do momento. A esta hora estou a pensar, que se sair vestida de Pocahontas o melhor é encontrar logo o John Smith ou estou bem tramada.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Choramos.

Por motivos que são só nossos perdemos a calma, a fé, a luz. Mais tarde ou mais cedo acontece a todos. Somos humanos. Se bem que uns mais que outros.
Raramente deixo que a falta de fé me abandone e raramente desvio os meus olhos da luz. Mas acontece e quando acontece, sinto o mundo a cair aos meus pés.
Sinto que não quero ser eu, sinto me injustiçada, sinto-me vítima do azar. Confesso que nessas alturas chego a sentir-me infantil, pois só me apetece recolher-me num canto, enrolar-me e chorar. Confesso que não quero ouvir ninguém e que o melhor que podem fazer é ficarem ao meu lado sem falar.
E não, não por favor não digam que eu sou forte. Nessas alturas ouvir a palavra forte, apunhala-me o coração e deixa-me ainda mais rastos. “ Se eu sou forte então porque esta acontecer a mim” e por aí fora, prefiro que se calem. Reconforta-me que acompanhem o meu sofrimento em silêncio.
Lentamente depois das lágrimas, depois dos silêncios, instala-se a depressão, que na verdade não passa de um momento de reflexão. Reflectir vezes sem conta, sobre os porquês e sobre as consequências. Revejo tudo o que levou a esse conflito, que é interno mas transparece. O bom disto tudo é que chorar faz realmente bem, ao chorar lavamos o que há para lavar. A situação do momento, os outros momentos infelizes que ficaram para trás e que agora vêm ao de cima como se já não bastasse o que desencadeou o choro. Enfim, hoje chorei, por mim e por todas as vezes que quis mais e não tive, que fiquei para trás, que cai.
Choro muitas vezes, mas choro pouco de cada vez. A minha natureza não me deixa esconder nas lágrimas, elas soltam-se e deixam ver o que há. Há muito que percebi que não sou pessoa de chorar a toa, mas tenho os meus momentos e quando choro gosto de curtir o momento, sabendo já a partida que não vai durar. Nada dura para sempre e ainda bem que assim é, até as coisas más têm o seu fim.

Música dos Sin Bandera " Que lloro" para chorar porque os momentos tristes tambem têm o seu lugar. http://www.youtube.com/watch?v=DVsx95GC68I

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Alma nua


Hoje quando chegares ao pé de mim, quero que me dês logo as flores que trazes. As orquídeas misturadas com rosas, como sabes que tanto gosto. Hoje quando chegares ao pé de mim, quero que me soltes o cabelo. Que me abraces e que me deites no sofá enquanto preparas um banho para os dois. Quero que me venhas buscar, que me ajudes a despir e que te aconchegues a mim na banheira. Quero que massajes o meu corpo, devagar e suave. Quero que me sirvas vinho, vinho doce e morno. Depois do banho veste-me o roupão e anda deitar-te ao meu lado. Fica assim agarrado a mim. Não quero fazer amor, quero apenas acreditar que estas aqui. Hoje sinto-me nua perante o mundo, mas tu vestes-me com o teu olhar.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Disco riscado.

(Não te apaixones por mim! Sei que se o fizeres só vais sofrer. Não te apaixones por mim peço-te. Não quero que sofras, não quero que te desiludas, quando perceberes que o que idealizaste não passa de mera ilusão. Não sou a perfeição a sério que não sou, o que vês por fora, é apenas isso, o que vês por fora. O que está cá dentro é um mundo ou mesmo vários. Talvez sejam vários. Tenho quase a certeza que são vários e que eu nunca sei em qual deles estou. Como te poderei dizer ao certo onde me irás encontrar. Não te apaixones por mim, porque eu vou falhar e não é porque quero, mas porque é mesmo assim, eu falho. E tu, tu não mereces isso! Mereces mais, mereces melhor!
Juro-te que não sou o que pensas que eu sou, eu não sou assim, não sou a perfeição e não sou o que te vai preencher, completar, amar.
Não te apaixones por mim, eu não vou estar quando tu precisares de mim, como poderei ser o que tu precisas?! Eu não sei, juro-te que não. Sinceramente não sei para que lado me virar. Tu procuras amparo, procuras amor, carinho, calor e eu não tenho nada disso. Eu estou aqui porque algo, algo que não sei explicar, faz-me vir ter contigo. É mais forte do que eu. Mas eu tenho de te dizer não te apaixones por mim por favor.
Não lhe digo hoje, é melhor não, ainda desata para aqui a chorar e eu tenho de chegar a casa cedo, é melhor para a semana.)

- Gostaste?
- Gostei.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Dança comigo!

Dança comigo, dança comigo agora. Não ouves a música. Como podes estar aí parado e não me vens buscar para dançar.
Queria tanto dançar. A música já vai a meio e tu não vens, a meio já não tem graça, mas continua a ter alguma. Ainda vais à tempo, anda-la agarra-me e faz-me sentir-te, encostado a mim, o teu calor, o teu balanço. Dança comigo. Eu fecharei os olhos e sonharei com um lugar perfeito, mas terá de ser a dançar contigo. Só assim resultará, aqui agarrada a um copo sozinha, não irei sonhar eu sei. A música já acabou, deixa estar.

- Olá, sou o João, queres dançar?
- Olá, sou a Paris, a música já acabou.
- Eu sei, não tarda nada já estará a tocar outra. (diz enquanto agarra a minha mão de forma firme e fixa os meus olhos)
- Aceito. (digo eu enquanto afasto o olhar e encaminho-me para a pista)
No ar o cheiro a cigarrilha de café, as luzes iluminam como se fossem velas, as paredes e sofás são forrados a veludo preto e vermelho, toca Dont’ break my hearth dos Vaya con Dios e por momentos, por momentos eu sinto-me no céu.

Dois estranhos, um bar, um slow e uma noite solitária e chuvosa de Lisboa.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Façam o favor!

Podia começar por desejar um bom ano, blá blá blá, mas isso implicaria que todos os dias do ano teriam de ser bons. Sejamos realistas isso é difícil.
Mas e como há sempre um mas, quero apenas deixar uns conselhos para que pelo menos alguns dias deste novo ano sejam bons no mínimo.

- Livrem-se dos manipuladores, estes encontram-se infiltrados em membros das nossas famílias, nas nossas amizades, nos nossos colegas de trabalho. Obrigam-nos a ser o que não queremos ser, a aceitar, a baixar a cabeça e a engolir. Este ano fujam dos manipuladores, livrem-se de forma subtil, mas invistam numa acção tipo 007. Afinal de contas não queremos que eles dêem de conta que perderam um escravo/a das suas tiranias.

- Escolham dois desejos que sejam possíveis realizar e realizem-nos, não há desculpa se entre todos os sonhos e desejos escolherem dois que possam realmente realizar. Toca agir. E vale tudo desde as coisas mais simples as mais complicadas.

- Invistam no amor. No amor-próprio, no amor pelo próximo, no amor pela vida. Amar e ser amado é essencial na vida. Se não somos amados da forma que queremos, porque não investir na forma como amamos. Dizem que quem dá, recebe o dobro.

- Cuidem-se. Pela vossa saúde mental e física cuidem-se. E parem por favor de se queixar ao espelho. O espelho não tem culpa, se não nós apetece sair e andar meia hora por dia, o espelho não tem culpa se não sabemos controlar o que metemos na boca. Se não gostam do que vêm, peçam ajuda para uma mudança de visual. A mudança pode começar por fora, mas acaba por nos beneficiar por dentro. Mas parem de se queixar.

- Há aquelas pessoas com as quais nos cruzamos todos os dias e que têm o poder de nós causar mal-estar. Ou porque são más ou porque como dizem alguns não há quem os fo.., e então passam a vida a fo… a vida dos outros. A solução é fazer alguma coisa, ignorem, desprezem, mande-os procurar gambozinos, mas façam alguma coisa. Já bastam as nossas tretas, para ainda termos de aturar as tretas dos outros.

Do ano de 2007 ficou-me uma frase que ouvi num programa de televisão dito por uma “cota”. Dizia ela mais ou menos assim “ quando era mais nova reclamava, por não ter o corpo perfeito, não gostava do meu nariz e por ai fora… com os anos aprendi que o meu corpo é fantástico apesar da sua aparência ele funciona e isso é maravilhoso”. Vamos brindar ao facto de estarmos vivos, de podermos respirar, levantarmo-nos todos os dias, de andar, falar, cheirar, saborear.
Durante este ano, todos os dias podem ser dias de mudança, todos os dias podemos reinventarmo-nos, podemos ser diferentes, melhores.

Tenho dias que ajo como uma Marilyn Monroe, outros pareço a Madre Teresa de Calcutá, tenho um amigo que tem dias de Brad Pitt e outros que mais parece o Ronaldo a fintar os reveses da vida. O meu desejo para 2008 é de que escolham quem querem ser e sejam felizes e sempre que a personagem falhar reinventem-se. Só se vive uma vida de cada vez, investe nesta. Boa viagem!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Lingerie

Ligaste para dizer que precisas de falar comigo. Eu aceito vamos lá falar.
São 5 da tarde, combinamos na Brasileira. Cheguei mas cedo é uma técnica que uso há anos. Chegar cedo evita ter de ser eu a primeira a cumprimentar. Vesti-me à matar, aquele matar devagarinho. Vais ficar na dúvida se vesti-me para ti ou se nem por isso.
Coloquei o perfume, aquele que tu gostas tanto, estás lixado. Sim eu vim preparada para te castigar. O brilho que coloquei nos meus lábios pede um beijo e os meus olhos desenhados a lápis preto, prontos para te seduzir.
Estou feita uma leoa, mas trago as garras disfarçadas.

Já lá está. Chegou mais cedo, não percebo, não é suposto as mulheres atrasarem-se. Mas ela chega sempre mais cedo. E agora dou-lhe dois beijos ou só um. Seja o que Deus quiser. Caramba que bonita está. Veio assim para me lixar ou não, ela sempre foi feminina no vestir. Meu Deus e os seus lábios, e aquele olhar, estou feito. Estou mesmo feito. Não faz mal, respira fundo, respira fundo mas não deixes que ela repare. De tonta não tem nada.

- Olá.
- Olá.

Safado vens com essa barba por fazer, vais marcar a minha face quando me beijares. Será que ainda usas o mesmo perfume. Claro que sim que ideia a minha pensar que mudaste assim tanto num mês. E trazes a camisola que te ofereci. Podias ao menos disfarçar, vieste assim para me agradar. Estou quase a rir. Mas não posso, se me riu vais perceber que já te perdoei.

- Então, que me queres dizer?
- Eu queria falar contigo, saber como estas.
- Eu estou óptima, não vês.
- Sim eu vejo que estas. Tenho saudades tuas.
- É natural que tenhas. Era isso que me querias dizer?
- Era.
- Eu não tenho saudades tuas. Se era só isso que me tinhas para dizer, está dito. Tens livros e cd’s em minha casa, são teus não os quero lá.
- Passo hoje por lá, às 22, pode ser?
- Pode. Até logo.

Estou a sentir o seu olhar enquanto dirijo me para o Chiado. Eu sei que tens saudades, eu também tenho, mas isso só vais saber mais logo. Adorei ver-te agonizar só com a ideia de que estou mesmo decidida a não estar contigo.

Lá vai ela, logo nem que me ponha de joelhos, mas ela vai voltar para mim. Ai vai, já não aguento mais, até ando a dormir mal. Nem que me ponha de joelhos, mas vamos voltar.

A última palavra vai ser a minha, sim vamos voltar, fomos feitos um para o outro. Afinal qual é o casal que não tem problemas. Dizem que fazer as pazes é a melhor coisa. Logo veremos.

Entro numa loja de lingerie, hoje vai ser mesmo à matar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Os meus homens.

Gosto, gosto mesmo muito deles. As vezes ponho-me apreciá-los. A espiar os seus tiques, manias, birras. São de todos os tamanhos e feitios. São feios, lindos, altos, baixos, gordos, magros, assim asssim. Mas são homens e só por isso deixam-me intrigada. Por serem diferentes. São diferentes das mulheres e disso não há a menor dúvida, não são nem melhores nem piores. São homens.
Vejo-os como seres mágicos, há algo neles que me faz ficar especada por dentro. A minha alma pára, olha, assimila e segue em frente.
Gosto quando são sensíveis, quando são meigos, quando estão tristes, quando estão felizes, quando dormem, quando andam, quando choram, quando dançam.
É claro que não são perfeitos, nada é. A perfeição é um conjunto de situações que se unem num certo momento. Aí sim, eles conseguem ser perfeitos.
E quando se aprumam, quando querem dar o seu melhor, quando se esforçam por agradar deixam-me sem ar.
Quando são corajosos, altruístas, humildes, deixam-me de lágrimas nós olhos, comovem-me.
O facto de serem como são, conseguem sempre surpreender-me. É claro que há homens maus, mas desses não quero falar, para quê gastar o meu tempo com covardes.
Os Homens são extraordinários, magníficos, maravilhosos. São homens e por existirem fazem o meu mundo de mulher ser mais especial…mais mesmo!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

As montanhas de silicone

- Acredita em mim, eu já os vi juntos mais que uma vez. Não chores ou melhor chora. Deita tudo cá para fora.
- Mas porquê? Viste a gaja toda vermelha. Deve ter sido cá uma coisa. Mas porquê? Logo ela.
- Oh eu sei lá porquê! É a vida Ana, é a vida.
- Eu fiz tudo por ele.
- Talvez não o suficiente.
- Que queres dizer?
- Sei lá. Quem sou eu para te dizer seja o que for. Talvez pensasses que ele era perfeito. Ele nunca foi, nem será perfeito. Nem tu, nem eu.
- Filosofia! Tens sempre essas frases para dizer.
- Estou a melhorar, olha a minha veia de psicoterapeuta. Ana, já chega, anda para frente, para o lado, para onde tu quiseres, mas sai desta casa de banho que há mais pessoal que precisa dela.
- Porquê, mas porquê eu.
- Porque és linda, inteligente, forte e tu mais que ninguém consegues ultrapassar isto. Deixa-me limpar a tua cara. Credo, estás mesmo feia, não gosto quando choras maquilhada.
- Achas que foram para a cama mais vezes?
- Não sei.
- Sabes sim. Tu sabes, tu topas essas cenas á milhas.
- Bem cama, cama não sei, mas no outro dia saíram da garagem juntos.
- Aquela filha da p…
- E ele é o que?
- Ele é …ele vai ter das boas. Vou sair daqui, direitinha aquele nariz e partir-lho.
- Eu se fosse a ti não fazia isso.
- Tens razão, uma joelhada no abono é mais justo.
- Olha e vais descalça?

Ana sai disparada em direcção ao João, dá-lhe uma joelhada e na volta atira-se a Barbara e aperta-lhe as mamas de silicone.
- Seus c… de m…, agora vão f… para o inferno. Anda uma mulher a tentar ser uma senhora. E estes c…de m…, a darem me cabo da vida.
- Ana tem calma. Vamos embora.
- Deixa-me Sara, deixa-me que eu vou-me a eles.
- Amiga vamos, já fizeste escândalo suficiente.
- Fiz, não fiz, e eu sou uma senhora.
- Pois és, se bem que uma senhora também perde a cabeça e neste caso tens razão.

Arrastei-a para fora do restaurante. E fiz sinal para nós deixarem sós.
- Eu apertei as mamas dela.
- Eu sei, que cena marada.
- Sempre me fizeram confusão, sempre apontadas para o céu.
- Estás melhor?
- Sim bem melhor.
- Calça-te. Ganda maluca apertaste as mamas dela, de onde foste buscar essa.
- Não sei, mas parece-me que ninguém vai esquecer esta festa.
- Ai não vão mesmo. Foi o vosso aniversário de casamento mais divertido. Desculpa!
- Não te desculpes, eu achei o máximo e amanhã atiro com as roupas dele pela janela. Queres ir tomar chá para assistires.
- Amiga, não perco essa.
- Obrigada.
- Sempre as ordens.

Ficamos sentadas a ver o pôr-do-sol no guincho. A Ana soltava um suspiro de vez enquando. Parecia calma e quase que ia jurar que aliviada.
- É a vida Ana, é a vida.
- Filosofia! Tens sempre essas frases para dizer.
- É a vida.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Rebuçado de morango

As nossas escolhas são como os rebuçados de vários sabores. Se metes mais que um na boca obténs uma mescla, podes acabar por obter uma mescla boa ou então mer.. . Se escolhes comer um de cada vez, os sabores vão variando uns mais doces, outros mais amargos.
As escolhas são assim doces e amargas.
Eu admiro as pessoas que admitem e levam a cabo e se aguentam a bronca nas suas escolhas. Eu escolhi ser assim, posso demorar a escolher, mas depois de decidir saiam da frente, seja elo sim ou pelo não.
Com o passar dos anos aprendi a não adiar, quem adia só perde. A sério! Adiar o fim, só adia o princípio. E custa-me quando olho para trás e percebo que o fiz algumas vezes, e ainda assim contam, contam o suficiente para ter medo e não demorar a escolher.
Falo de relações, de trabalhos, de palavras, de tardes, de noites, de sonhos, de momentos que adiei, por não me decidir a escolher e quando o fiz ou seja se me decidi pelo sim, já não teve aquele gosto, porque enfim, a angústia da indecisão tirou a graça a coisa.
Se escolho o não, decido que vou ter de viver com essa decisão. Escolher o não é lixado. O sim pelo menos, podemos arrependermo-nos porque fizemos, aproveitamos, estragamos, rasgamos, e por ai fora. O não, é o ficar naquela poderia ter feito e não fiz, portanto a dúvida acaba por reinar. Um reinado curto na minha vida, isto porque há alguns anos atrás alguém me disse, “quando algo me pressiona, livro-me logo do que me esta a pressionar seja o que for é que nem dou tempo para deixar que isso me mine, se me pressiona é porque me está a fazer mal”. Assim é a dúvida em mim, não dura muito, paro por uns minutos avalio e escolho. Ou vai ou racha, seja o que Deus quiser e todos os santos.
Mas há aquelas situações em que a escolha é danada, sabemos que vamos nós arrepender logo, mas a tentação não nós deixa pensar e saltamos literalmente para o colo, para a cama, para a mesa, enfim somos humanos. E depois desses momentos esfregamos uma mão na outra e dizemos para dentro “que se lixe, já esta”. Errar é humano e o querer também.
As escolhas que fazemos na vida são o resultado da ginástica que fazemos entre o queremos, o que os outros esperam de nós e a nossa consciência. Eu fico-me primeiro pela minha consciência, depois pelo que quero e por fim pelo que os outros esperam de mim.
É claro que não é assim tão fácil de gerir, mas é uma das vantagens de andar por cá já alguns anos, saber que independentemente das minhas escolhas, na hora de dormir é bom que não me pese a consciência. É bom que reveja o meu dia e acredite mesmo que dei o meu melhor. O meu melhor para ser e fazer feliz.

Escolhi um rebuçado de morango. E tu?