sábado, 22 de setembro de 2007

A OUTRA

A outra veste-se bem, a outra maquilha-se, a outra usa lingerie de renda, a outra usa saltos altos. A outra tem uma opinião sobre tudo. A outra sabe sorrir. A outra sabe seduzir. A outra não anda, desliza. A outra cheira bem.

A outra quando beija, deixa um pouco de si. O seu cheiro, o seu calor, o seu ar. A outra tem o corpo bem definido, não é perfeição mas é uma visão.

A outra espera pelo toque do telefone. São uma da tarde, combinaram almoçar juntos, num restaurante qualquer, bom mas discreto. Ele liga a dizer que está a chegar. Espera que a outra, o receba com aquele sorriso que ele tanto gosta. Chegam ao restaurante, ele puxa a cadeira, ela senta-se. Ele pergunta o que a outra quer comer e sugere um vinho. A outra agradece as flores que ele enviou. Orquídeas as suas preferidas.
A outra diz-lhe que tem bilhetes para a peça de teatro. Ele responde que vai. Ele fala-lhe de um fim-de-semana em Paris. E a outra aceita. Acabam o almoço ele despede-se dela com um beijo apaixonado.

Ela prepara-lhe o jantar e deita os miúdos. Ele chega a casa e diz que tem de sair para uma reunião. Precisa que ela lhe prepare aquela camisa que ele tanto gosta, enquanto toma um duche rápido. Ela ajusta-lhe a gravata, alinha-lhe o casaco. Ele comunica-lhe que vai ter de ir a França no fim-de-semana, precisa que ela lhe prepare a mala. Durante o jantar, ela informa-o que os miúdos estão bem, que já dormem. Que tem uma reunião na escola para a semana e que o mais velho vai inscrever-se no futebol. Ele beija-lhe a testa e deseja-lhe boa noite. Ela fica a porta a vê-lo sair.

Ele chega, a outra já está a espera dele. Cumprimentam-se com um beijo fugaz, ele olha-a deslumbrado e ela cora. A outra olha-o. A camisa impecavelmente engomada, o nó da gravata perfeito. Vão ver a peça juntos, vão beber um copo juntos. No final da noite e depois de uma passagem rápida pela casa da outra, ele volta para casa sozinho.

Ele chega a casa deita-se ao lado dela, ela aconchega-se nele e beija-o, sente um outro perfume. Cerra os olhos e volta adormecer.
Pela manhã ele acorda primeiro, prepara o café que tomam juntos todos os dias. Falam do que cada um vai fazer durante o dia. Ele vai preparar-se para o trabalho, ela vai preparar os miúdos para a escola.
Ele ajuda os miúdos no carro, volta a casa e beija-a deseja-lhe um bom dia e diz-lhe que a ama. Ela sorri, sabe que é verdade.

São uma da tarde e a outra aguarda a chamada dele.

A outra sabe que ele tem ela. Ela sabe que ele tem a outra. A outra quer ser a ela dele e ela quer ser a outra dele.

Num mundo perfeito a outra e ela seriam uma pessoa só. No mundo real existem ilhas perfeitas.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

José Afonso

Quinta-feira a noite, vou para a “borga” dançar e conviver com bons amigos. Acabada a noite e a despedida do pessoal, encaminho-me para o meu carro. Abro a porta, entro e ligo o carro. Olho para o vidro e vejo uns papéis. Só pelo facto de não querer ter o azar de chover e estes se colarem ao vidro resolvi sair e retira-los. Não gosto de deitar papéis no chão, atiro-os para o banco do lado e lá vou eu.
Ao chegar à casa, olho para os papéis e percebo que não é mais um dos muitos bilhetinhos com números de telefones ou mensagens, mas sim uns bilhetes de uma estreia. Reparo na data e já passou, reviro os bilhetes e encontro um nome. O nome do dono dos bilhetes e mais nada, nem uma mensagem, nem um número. Só informação cultural.
Estranho penso eu. E mais estranho é alguém decidir fazer do meu carro seu caixote do lixo. Enfim decidi não pensar nisso, mas deixei os bilhetes em cima da mesa.

Sexta-feira depois das lides profissionais, fiquei com a tarde livre. Vou para a baixa de Lisboa. Adoro a baixa, Lisboa vive-se ali. Nas ruelas, nos passeios, nas praças, nas Igrejas escondidas, nos botecos. Nos turistas de rua, nas Marias, nas Madalenas, nos Zés, nos Quins e em mim. Faço o roteiro do costume e dirijo-me para Belém. Passeio pelos jardins, vou beijar o rio e cruzo o olhar com o Centro Cultural de Belém. Este pisca-me o olho, já lhe devo uma visita há algum tempo.

Entro na recepção e pergunto pelo Museu da Colecção Berardo. Pergunto se a entrada é paga, respondem que não. E eu sorrio e mando cumprimentos ao “tio” Joe.

E agora podia armar-me aqui em intelectual e tal, que entendo muito de arte e tal. Mas não, fui realizar um desejo, adoro o surrealismo e ali estão, não as melhores obras, apenas algumas representativas.
A meu ver Dali é o Tal e dele apenas uma obra e nem era um quadro. De resto o Surrealismo é assim mesmo uma linha, um objecto deformado, uma névoa e o seu significado passa a ter outra dimensão. É muito interessante ver o que para um, é definido como uma tarde solarenga e no mundo real ou não, é apenas um peixe num prato.
Adorei a exposição, fiquei espantada pela sua organização, pelas obras apresentadas e pela sua “ magia”. Surrealismo “rules”.
Retirei-me do Museu um pouco mais rica. O tio Joe pagou o bilhete e afinal de contas a arte é de todos, logo aquele quadro de Picasso também é meu.

De saída encaro com uma placa onde apresentam a primeira apresentação pública de uma nova orquestra, a Orquestra de Câmara Portuguesa, fundada e dirigida por Pedro Carneiro. Fez se luz, os bilhetes deixados no meu carro eram os da estreia. Já usados obviamente.

Fiquei a pensar, se teriam sido os bilhetes a levarem-me ali. Que estes tivessem influenciado a minha tarde. Afinal com tanto sítio para passar a tarde, dou por mim no CCB, a ver uma exposição sobre o surrealismo, quando podia estar assistir uma sessão de treinos do Sporting. Enfim uma situação digna deste movimento. Decidi ir comer pastéis de Belém.

Querem mais surreal que isto: uma tarde em Lisboa, uma exposição surreal, uns bilhetes usados e pastéis de nata. Misturem tudo e "voilá". Não temos artista mas temos concerteza mote para um bom quadro servido a moda de Dali ou Cesariny.


P.S. – E já agora obrigada José Afonso, queira por favor deixar para a próxima bilhetes válidos. E dois.

sábado, 1 de setembro de 2007

Enquanto dormes

Ao fim de tantos anos, está ali ao meu lado e dorme. Olho para o que desejei, a ele, somente a ele, um desejo de partilha, entrega, submissão.
Lembrei-me da Ana, ela ama tanto o namorado, mas também ele dorme. Penso na Carla ela ama tanto o marido, mas também ele dorme. Penso em mim e eu amo-o tanto mas ele também dorme.

Foram envenenados com a confiança, de nós ter ali ao lado. Acordam de leve a meio da noite, esticam o braço, sentem a nossa pele e voltam adormecer.

Sentamo-nos a mesa, ele come e eu olho para ele. Pergunto-lhe como correu dia, se gostou da minha surpresa, se gosta de mim. E ele automaticamente responde a tudo que sim. Olho bem e reparo que afinal ele dorme.

Entramos no quarto, abraça-me, aperta-me e eu sei o que ele quer. Fazemos amor!? Não. É sexo, porque olho para ele e ele dorme.

Levantamo-nos pela manhã, é domingo. Digo-lhe que quero ir até a praia. A esta hora ainda está bom para passear. Ele diz que sim.

Avançamos pelo areal. Enterro os pés na areia molhada e gelada. Respiro fundo, o vento brinca com o meu cabelo e recordo um dia, uma tarde, uma noite em que fui feliz. Abraça-me como se conseguisse ler os meus pensamentos. Fico com medo, mas afinal não, é só um abraço. Um abraço frio, porque ele dorme.


Enquanto eles dormem, nós sonhamos, com homens de carne e osso que sentem medo, que choram, que sofrem, que vivem, que pretendem, que se atiram, que se excitam, que ambicionam.

Enquanto ele dorme a vida avança. A minha, a da Ana, a da Carla. Enquanto eles dormem, nós acordadas vemos o mundo e desejamos e lutamos, por alguém acordado, por alguém que nunca durma. Porque precisamos de quem nos vele o sono.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Noctívagadas

Saio a noite, vesti-me como se fosse para uma festa. A vida é uma festa. Porque não celebra-la, penso eu.
Saio do carro, dou uma volta, miro o vestido que trago. Que delicia, sabe mesmo bem esta seda no corpo. Esta cá um calor, mas não faz mal, até sabe bem, o perfume fica mais intenso.
Chego e cumprimento o pessoal do bar. Olho para a minha mesa preferida e está ocupada. Faço um ar de descontente. O Luis empregado do bar, meu conhecido há anos, oferece-me outra. Faço beicinho e digo que não, eu quero aquela. Sem saber o que dizer oferece-me uma cadeira junto ao bar. Aceito esperar ali, afinal não vão ficar lá a noite toda.
Sinto um perfume masculino delicioso. Caramba, não há de uma mulher ficar louca com estes aromas. Olho para o lado, interessante. Bem vestido e cheiroso. Ele sorri eu não. Não vá pensar que lhe estou a dar espaço.
- Que guapa! Diz ele. E eu penso, mau maria, oh espanholito deixa-te estar por aí que eu hoje não estou para aí virada.
- Queres bailar!
Ai ai, que este é dos matadores.
- Não obrigada.
- Eres portuguesa?
E insiste o desgraçado. Volto-me para ele e respondo em bom inglês! - I’m sorry, am not portuguese.
Esta costuma resultar sempre, não conheço um espanhol que goste ou saiba falar inglês correctamente.
- Oh am american!
E eu penso, shit que este vai ser difícil de descartar.
- Am sorry am not into you! Sou o mais directa possível. Traduzindo “ desculpa-me mas não tou na tua”. Aprendi isto na Oprah. E não é que resulta mesmo!
O gajo olha para mim e chama-me bitch. Eu olho para ele e chamo-lhe loser.
Entre bicth e loser, prefiro definitivamente bitch. As bitches são vencedoras. São as que dão que falar, pelos bons e maus motivos. E a frase mais conhecida entre as mulheres, é que as bitches ficam sempre com o melhor. Portanto o loser até tem razão.
Até que enfim vejo chegar o pessoal.
- Então chatearam-te muito!? Pergunta o Pedro a gozar.
- Não, só um "son of a bitch". Respondo a sorrir.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Encosta-te e tatua-me

Encosta-te a mim, encosta-te e canta no meu ouvido. Sabe-me a mel as tuas palavras.
Ai tiras-me do sério só de pensar no que estás a dizer. Arrepio-me toda, tal é a delícia das tuas palavras. É como se soprasses na minha pele nua.
Falas de um passado que sinto, ainda a palpitar nas veias. Tão recente, tão saboroso.
Encosta-te a mim e sussurra-me ao ouvido. Fala-me com paixão, fala-me de tudo o que queres fazer comigo. Ganha coragem e deixa-te levar, magoa-me se for preciso, quero ficar tatuada.

Abraça-me pela cintura e faz me esquecer. Esquecer tudo menos esta canção.
Sabe-me a mel, a beijos arrojados e a amor. Sabe-me muito bem.

Canta Jorge, canta e mata a sede que há em mim.

"Encosta-te a mim
Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim."


Jorge Palma, in Voo Nocturno ( até doi ouvir esta música )

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Fui encontrada e presente ao Juiz

- Apresente-se ao tribunal. E explique a sua queixa.
- Sr. Dr. Juiz, venho apresentar a minha versão dos factos, para justificar o facto de ter estado perdida. Reconhecer perante o Tribunal que errei, mas que agi por ingenuidade.
- Sr.ª Doutora Laudy faça o favor de apresentar a vossa defesa.
- Amiga não te preocupes vai correr tudo bem! Diz-me a minha melhor amiga que achou por bem intervir em minha defesa.
- Sr Dr Juiz, a minha cliente agiu de boa fé, foi apanhada de surpresa, pelas estradas da vida. Ou seja com as calcinhas na mão.
- Ai amiga calcinhas na mão, amiga não digas isso. Digo eu embaraçada.
- Não te preocupes é apenas uma expressão. Pisca-me o olho e continua. - Como estava a dizer Sr. Dr. Juiz com as calcinhas na mão. Completamente desprevenida, foi sucessivamente deparada com verdadeiras agruras. E é mais que natural que não tendo tempo para pensar no assunto, tenha apenas resolvido fugir, a enfrentar a realidade. Andou perdida durante uns dias e pior chorou, chorou como nunca à tinha visto chorar. Sou testemunha desse facto e como prova, trago aqui os barris de cerveja sem a respectiva mas cheios de lágrimas.
- Sr. Dr. Juiz esta cena das lágrimas não devia entrar na defesa. Afirma o advogado da acusação.
- Sr. Advogado Facadas chorar faz bem. Responde o Juiz - Continue.
- Aparte do que já foi dito quero apenas acrescentar que esta fase já foi ultrapassada. A minha cliente esta consciente, de que nada pode fazer, o que será será! Aceitou o facto de que cada um tem o que merece ou melhor procura. Cedo a palavra a acusação.
- Sr. Dr. Juiz, a cliente da defesa afirma que foi apanhada desprevenida e vou citar "com as calcinhas na mão". É mais que sabido que estamos a falar de uma mulher, friso adulta. Uma senhora que sabe o quer, que luta e que acima de tudo é justa para consigo. Ora tendo sido apresentados estes factos. Afirmo que deve ser condenada, a vida continua. Não ficou a sua espera e muito menos tem de lhe dar satisfação, o passado é passado, o presente acontece e o futuro, todos nos sabemos é produto dos nossos actos, deve ser condenada, por agarrar-se a ideia, de que todos os finais têm de ser felizes.
- Contesto Sr. Dr. Juiz. Grita a Dr.ª Laudy – A minha cliente tem o direito de acreditar nos finais felizes, na felicidade e até no Pai Natal. Pecou por ingenuidade, infelizmente acontece.
- Feitas as exposições, devo antes de pronunciar a sentença, recomendar que dadas as circunstancias, que no futuro seja mais prudente, que não facilite e que acima de tudo que se proteja. Deixar o seu coração ser atacado dessa forma é mais que ingenuidade, é achar que a vida anda connosco nas palminhas da mão. Minha cara a vida dá-nos beijinhos, faz amor connosco, dá-nos palmadinhas nas costas e as vezes vai buscar-nos ao abismo. Mas toda a gente sabe que "Life is a bitch and you bether whatch out"*
Desta vez o tribunal confirma a sua inocência, mas não volte a repetir esta imprudência.
- Sim Sr. Dr. Juiz. Volto-me para a Laudy aliviada e suspiro. - Não volto mesmo a deixar isto acontecer.
- Vais continuar a acreditar em finais felizes. Pergunta-me ela já a sorrir certa da resposta.
- Sim vou! Até ao fim dos meus dias, vou acreditar que o bem vence o mal, que o amor vence o ódio, e que há sempre uma tampa para cada tacho. Podem não ser as tampas perfeitas mas ninguém o é. Ou serão uns mais que os outros!? Bem fico por aqui senão qualquer dia estou a ser julgada novamente.


*A vida é cabra, temos de estar de olho.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Lost: tradução perdida


Existe algum lugar para onde eu possa ir, onde eu possa estar sem pensar em mais nada, onde possa literalmente parar o tempo? Onde possa deixar de ser eu, para ver tudo com mais clareza? Um lugar onde o tempo e a vida ficam suspensos. Alguém que me diga. Preciso urgentemente de uma resposta. Trata-se de uma questão de equilíbrio mental.


E sabem o quanto esta questão é importante. A do equilíbrio mental. Sabem aquela sensação de que tudo corre a nossa volta e nos continuamos parados só a observar, porque estamos demasiados dormentes para fazer acontecer. É deste desequilíbrio que falo. Deixamos que nós calem, que nos tapem os olhos, que nos roubem o ar. Estamos adormecidos.
Ultimamente sinto que fui assaltada, que alguém me roubou algo e ainda não descobri o quê.
Sinto que perdi a guerra, sem nunca ter entrado numa batalha.
Sinto que perdi e eu tenho mau perder, estou sempre a espera que a derrota, afinal não seja verdadeira, que o meu esforço no fim resultará em vitória.
Aceitar as derrotas é uma virtude, lamento mas essa não faz parte do meu cardápio.
Ingénua pode ser que sim, há muito que acredito em finais felizes. Recuso-me a aceitar historias mal resolvidas, assuntos por discutir, situações complicadas.
Acredito de verdade que todos merecemos ser felizes desde que sejamos puros de coração. E acredito que devemos aceitar as consequências das nossas escolhas desde sejam as que nós desejamos.
Não sei se o meu coração é puro, acho que há espaços com pó, acho que preciso de fazer a limpeza geral. Acima de tudo preciso de encontrar aquele lugar onde o tempo e a vida ficam suspensos e eu sei que deve ficar mesmo ali, ao lado da paragem coração. É a tal questão do equilíbrio mental. Preciso de fugir, esconder-me para depois, sei lá depois sei lá. Mas quem souber que me diga, eu preciso de encontrar o tal lugar. E é urgente!

terça-feira, 17 de julho de 2007

3 ricas perguntas

Em resposta ao texto anterior. Cá vai.


Gostas deles loiros ou morenos? Que tipo de homem te atrai?

Ui ui, que me querem apanhar com esta.
Minha nossa. A resposta é simples. Gosto deles. Arrumadinhos, cuidados, equilibrados. Qualquer homem que tenha em conta o século em que vive, que seja mais do género metrosexual, urbansexual, mas que goste de aventura, de andar descalço na relva, de dançar a chuva, de passar uma tarde a olhar para o pôr-do-sol sol sem se sentir obrigado a dizer uma única palavra, esta convocado.

E não me vou alongar mais, senão ainda alguém se atreve a dizer. “Estavas melhor calada”


Que número é que calças?

37. Não percebi o motivo da pergunta. Será que me vão oferecer sapatos. É pá se assim for na boiinha. Será que posso dar uma sugestão; posso? Gosto de sandálias de salto alto entre os 8 e 10 cm é perfeito. Não gosto daquelas, cujos fios são para amarrar a volta do tornozelo e ainda sobem pela perna. Gosto delas com fios coloridos ou com cristais, como se decorassem os pés.

Descrever um pesadelo?

Ser acordada pelo Mr. Been na minha sesta de tarde de verão. Ok ok podia ser pior mas só me lembro deste. Podia descrever vários cenários, mas não quero traumatizar ninguém é que isto dos pesadelos é contagioso.


Agradeço que não me tenham feito perguntas comprometedoras, para isso já estou cá eu.

Cuidem-se

segunda-feira, 9 de julho de 2007

1000... só um A380 não vai chegar.

Quase que sem dar conta, dou por mim a ver que este blog foi clicado quase 1000 vezes. Estou contente, mas de verdade só me leva a pensar ou melhor analisar estas 1000 vezes. Quem terão sido os passageiros deste voo? Questiono-me e elaboro as possíveis respostas;

Terão sido passageiros de um voo atrasado, sim possivelmente metade deles.
Terão sido passageiros a procura da sua bagagem, sim possivelmente alguns.
Terão sido passageiros a procura do seu destino, sim acredito que também passaram por aqui.
Terão sido passageiros desesperados, marcados, zangados, magoados, sim é certo que terão vindo.
Terão sido passageiros felizes, completos, iluminados, acredito que a maior parte deles sim.
Terão sido passageiros de outros voos a procura de aventura, estou certa que também fazem parte.

Mil passageiros para um voo, que faz tantas escalas é gratificante.

Como vossa assistente de bordo venho agradecer a vossa preferência e convida-los a viajar connosco no futuro.


É um prazer tê-los a bordo.

A visita nr 1000, 1001 e 1002, se assim desejar pode fazer um print screen (imprimir o que visualiza no ecrã, sendo que deve aparecer o contador com os respectivos números) e enviar o dito para o seguinte e-mail voodeprimeiraclasse@gmail.com . Terão direito, se assim desejarem, a formular 3 perguntas, atenção 3 perguntas e não 3 desejos. Não é como a lâmpada mágica, são três perguntas sobre as quais darei a minha sincera resposta neste blog. Não vou ameaça-los, a dizer que se devem conter e não formular perguntas de carácter duvidoso, pois acho que não é necessário, é obvio, aproveitem sejam criativos.




terça-feira, 3 de julho de 2007

O meu filme

Ele levanta a mão, agarra os seus fios de cabelo sedoso e suspira. Afunda a face nos cabelos dela e inspira o seu perfume. Ela encosta-se a ele e fecha os olhos, relaxa. Ele passa os dedos levemente pela sua face desenhando o seu contorno. Desliza as mãos pelos seus braços e aperta-os suavemente. Ela sorri. Volta-se para ele e os seus lábios encontram-se. Beijam-se apaixonadamente. Ele levanta-se e vai buscar uma rosa e coloca-a nos lábios. Ela levanta-se e encaixa-se nos seus braços. Ouve-se música, toca um jazz perdido no tempo. Eles dançam, na verdade deslizam embalados pelo som. Ela move-se sedutoramente e ele ampara-a. Navegam pela suite, já decorada com velas e pétalas de rosas.
Comemoram, não uma data especial, mas sim uma ligação eternizada por este momento.

Estou a visualizar partes de um filme romântico, inspirada levanto-me e decido ser protagonista de um também.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

E o Óscar vai para…

Quero agradecer a todos aqueles que têm tornado a minha vida, um verdadeiro caminho, cheio de emoções de alegria, de momentos de tristeza, mas acima de tudo cheio daquilo que nós apelidamos de amor.
Nos pequenos gestos, desde ao tocarem-me no rosto quando digo alguma tolice, ao despentearem-me quando acho que tive graça, ao olharem-me nos olhos e pedirem-me para prestar atenção. Ao convidarem-me para um café, ao perderem-se nas minhas filosofias e ao apoiarem-me nas minhas diabruras. Não gosto muito, mas há ainda quem me aperte as bochechas, como acto carinhoso.
São trinta anos com muitos dias. Dias de sol e de chuva. Dias em que não me importei com o amanhã e dias que esperei pelo amanhecer doutro.

Deve ser da idade esta coisa de fazer 30 anos não me intimida, mas pôs-me a pensar e dei por mim a contabilizar tudo:

Rugas = 0 ( tenho fotos a comprovar)
Amigos = 2 mãos x 2 mãos bem cheias

Inimigos = não conheço esses gajos.
Dietas = 0
Ex-namorados = são ex não contam.
Ossos partidos = 0
Festas curtidas = Bués

Festas não curtidas = não me lembrem disso
Lágrimas = também é preciso
Sorrisos = as vezes até me doi as bochechas

Grandes bebedeiras = 2 ( e tive direito a plateia)
Beijos roubados = 3 (bem roubados)
Gente que fiz chorar = poucas
Gente que fiz rir = Todos nós temos vocação para palhacinho.
Noites perdidas = não me arrependo.
Loucuras = Já lhes perdi a conta

Sexo, drogas e rock and roll = hum... essa passo
Sonhos realizados = muitos
Sonhos por realizar = muitos
Arrependimentos = raros
Atrevimentos = começam a ser frequentes.



O resultado destes 30 anos é muito, muito positivo. Venham muitos mais 30 e que nesse novo voo haja lugar para todos vocês, pois tenho muito prazer em tê-los na minha companhia.

Apertem os cintos e boa viagem;)

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Elevador


- Um beijo.
- Um beijo?
- Sim um beijo, daqueles que me davas pela manhã.
- Desses não podem ser.
- Porquê?
- Porque, não pode.
- Quero saber porquê.
- Porque fazem me lembrar quem tu és, e o quanto…
- O quanto…?
- Tu sabes.
- Eu sei? Não, não sei, diz-me
- O quanto eu te queria.
- Querias…e agora?
- E agora não há desses beijos.
- Isso dizes tu. Quando te apanhar logo a noite e vai ser no elevador.
- Vai ser o que?
- Que eu vou te beijar.
- Não sejas louca.
- E acho bom que arranjes maneira de entrar no elevador sozinho.
- Mas que ideia é essa. Eu preciso de chegar apresentável.
- São as saudades!
- Saudades, mas ainda ontem estivemos juntos.
- Sim, mas não houve beijos.
- E hoje tem de haver.
- Sim
- Porque?
- Porque me fazem lembrar quem tu és e o quanto…
- E o quanto…diz!
- Tu sabes.
- Não, não sei e não desligues a chamada.
- Até logo, elevador não te esqueças, beijo.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Chá das cinco

"- Miga e ele?
- Não disse nada e eu estou a aguentar, sem lhe dizer nada também.
- Acredito que sim, eu já tinha mandado uma mensagem.
- De verdade estou desiludida com ele, mas começo a perceber que há muita gente assim. Que não é coerente que nunca sabes o que vão fazer a seguir. Não se trata de serem imprevisíveis, mas sim de não terem um caminho. Não têm consciência moral, só se preocupam com eles próprios e os outros só contam se por alguma razão contribuírem para o que querem.
- Acho que tens razão, mas sabes amiga, infelizmente essa é uma das grandes diferenças entre os homens e as mulheres. São todos assim.
- Amiga eles também se queixam, quando lhes toca a eles.
- Só quando se apercebem que estão na corda bamba aí andam connosco ao colo se for preciso.
São uns despassarados, nem estão nem aí..... o Luis é igual, o José é igual, o meu primo é ainda pior. Sei lá....todos os gajos que conheço têm me decepcionado. São assim (homens), temos maneiras tão diferentes de pensar que por vezes, fico abismada com as conversas deles.
- Pois é amiga.

- Sabes o que mais me chocou ouvir de um paciente homem...
- Começo a pensar que quanto mais os conheço mais me assustam.
- Ate hoje...e já outros confirmaram o mesmo que o facto de nós estarmos bem vestidas ou bem maquilhadas é um sinal para eles "saltarem-nos em cima” e acham que se nós, não lhes dermos trela que somos umas grande convencidas e que só queremos gozar com eles. Eu fiquei pasmada! Disse ao paciente. “Já pensou que, nós podemos gostar de nos arranjar bem.....faz-nos sentir bem e com auto estima, não têm necessariamente que ser com o intuito de sedução”.
- Há muita falta de consciência moral, o que vale é que a vida dá muitas voltas.
- Homens. “ Can’t live without, can’t live with ”
- Yeah.
- Mas eu gosto deles.
- Impossível não gostar."

P. S. Nada contra, nada a favor, manifestem-se livremente. Beijo

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Podias construir


Sonhas com o que queres, acreditas nos teus princípios. Nasceste, cresceste, estudaste, aprendeste, rezaste, ajudaste, lutaste…aste.

Convenceste-te que é assim que se ganha na vida “ a jogar pelas regras”. Que quem com bom coração planta, com bom coração colhe. Riu-me, mas contenho me e continuo.
Passam os dias, passam os anos, e tu ali com os sonhos por realizar. Vejo-te a modelares a madeira da tua cruz, que já esta quase perfeita. Vais lixar até a madeira ficar macia, e será que te vais dar ao trabalho de a envernizar? Calculo que sim. Já me esquecia, estas a preparar-te para á carregares também.
Corres sem olhar para o tempo, o tempo está a gozar de ti. E tu deixas que te gozem?! claro que sim. O tempo não o faz por mal, respondes tu.

Pois eu digo-te. O tempo é sábio e como todos os sábios está a espera do momento, o tal do assalto final, para te dar a lição. E perguntas se vai doer, olho para ti e riu-me. É claro que vai doer.
Olhas para mim com desprezo ou será medo. Abre bem os olhos, quero olhar através deles, quero ver se é desprezo ou medo. Não estou aqui para te criticar se é desprezo estou de saída e fecho bem a porta. Mas se é medo vou sair a mesma, mas deixo a porta aberta, quero que vejas o que há para lá dela. Que ouses desafiar. Afinal, nasceste, cresceste, estudaste, aprendeste, rezaste, ajudaste, lutaste…aste. E desafiaste? Não? sim?.
Aí os bons princípios, dizes tu. E eu riu-me. Os bons princípios, queres mesmo falar deles. Senta-te que eu vou te falar ao ouvido, assim as minhas palavras não farão eco.
Os bons princípios de que tu tanto falas são: o bom dia, o como esta, o deixa-me ajuda-lo, o eu faço por ti, o beijo de boa noite. Os bons princípios que tu falas são esses. Mas eu vou sussurrar-te outros. O princípio da consciência, o princípio da dor, o princípio do Amor, o princípio do fim.
Do princípio da consciência, entendes que a tens, e que quando ela carrega no alarme deves fugir. Se a consciência te pesar é porque deves, porque agiste em proveito próprio. E sabes que mais, as vezes não faz mal. E as vezes é necessário. As vezes.
Do princípio da dor, esse conheces bem. Já te ouvi, resmungar, que não te larga, a dor. A dor de sentir fisicamente o que os sentimentos são. Também faz falta, mas é uma cadeira que só devias ter feito uma vez, no entanto tens lá o teu nome gravado na carteira dessa escola que nunca te aprova.
Do princípio do Amor, decidi agora não falar sobre isso. Não vim para acarinhar-te, queria ouvir-te e quem acaba por falar sou eu. Por isso vou saltar a parte boa, a parte do amor. Eu sei gostas do Amor. A M O R, é uma palavra fácil de pronunciar. E tão cheiinha de coisas, o amor é cheio de coisinhas e tudo inhas.
Prefiro antes falar-te do princípio do fim, que se avizinha todos os dias e tu ainda assim acreditas no princípio e não no fim. Há sempre um fim para tudo. Devias acreditar nisso e mais, devias desenhar o fim. Como? perguntas tu. Primeiro devias atravessar aquela porta e depois devias viver.
Viver a construir cada minuto, sim a construir. Tijolo a tijolo, escada a escada, amor a amor, montanha a montanha. A construir o que quer que desejas, devias construir e largar essa cruz com quem namoras. Esse namoro não te faz bem, sei que não. Sai para a vida e vai construir cada minuto.


Que o tempo está a olhar para ti e ele é sábio.

terça-feira, 15 de maio de 2007

O voo de HOJE

Hoje queria ver-te.

Hoje queria tocar-te.

Hoje queria beijar-te.

Hoje queria que escolhesses um destes meus desejos, porque hoje queria fazer acontecer, mas não me sinto com poder. Há dias assim em que sinto o limite da minha humanidade. Há dias em que perco a luz e sinto que vou a caminhar para o oposto.
Olho para o tempo e vejo escoar-se nas minhas mãos, que já não têm a consistência que conhecia. Deixo o tempo fugir, sinto-me frustrada.
Penso, quando olho para mim “eu não sou assim”. E vejo-me de uma forma surreal como os quadros de Dali. Creio ser de facto uma figura dos seus quadros, quero fugir, mas quando tento, o meu corpo move-se lentamente, e vai se espalhando pelo espaço. As cores a minha volta são duma beleza estranha, quase que consigo tocar-lhes.
Vejo um relógio ao fundo. São 14h00 ou serão 10h00, o relógio escorre parece feito de água. Choro, as lágrimas escorrem-me pelo rosto, caem-me no peito e desaguam no chão. Água vai buscar mais água, um lago nasce a minha volta. “Não pode ser”, digo “ como é possível”. Fico sem resposta.
Estou assustada, não sei o que fazer, vejo uma porta, corro para ela. Agora consigo correr, que estranho. Quanto mais corro, mas me parece distante. Não consigo alcança-la, finalmente admito. Cansada, rendida, ferida, observo-me como se fosse um mendigo e soluço “nada do que tenho é valioso”. Nada servirá de moeda de troca.
Começo por deixar cair os joelhos, em seguida espero que o resto do corpo, siga esse movimento, quero deitar me no chão. Quero sentir que cheguei ao fim e que já não há limite. Agora tudo é possível. Como nos quadros de Dali, tudo é possível.

Hoje quero que escolhas um dos meus desejos e que por mim o tornes realidade. Porque hoje sinto que o limite da minha humanidade tomou conta de mim.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

You're just too good to be true ( ou não)

Meto na cabeça que tenho de ir para lá e saio de casa. É tão tarde mas não interessa. Vou lá ter a mesma, enquanto conduzo esqueço tudo, fico dormente, paro os pensamentos, desligo. Admiro as luzes da noite, como eu gosto desta estrada, se houver um caminho para o paraíso não me importo que seja parecido com este. Deixo a brisa entrar no carro, o meu cabelo move-se consoante a ondulação do vento. Arrepio-me, está frio, mas não interessa, (o frio é psicológico).
O cd dança e oiço Elvis Presley e não consigo conter um sorriso de satisfação adoro o Elvis. Ele canta e eu canto com ele:

“Were caught in a trap
I can’t walk out
because I love you too much baby

We can’t go on together
With suspicious minds
and we can’t build our dreams
on suspicious minds”

As lágrimas ameaçam surgir, lembrei-me de um jantar com vista para o mar, ali mesmo naquele restaurante. Bons tempos, com um sabor de doçura. É passado penso e sacudo os ombros, para afastar essa lembrança.
Já falta pouco, entretanto gritam os Hanson e eu quero gritar com eles:

“Wont you save me?
Save is what I need.I
just want to be,by your side.
Wont you save me?
I don’t wanna be,
just drifting through this sea
of life.”

Assim é que é, penso eu ou melhor assim é que deveria ser. Já cheguei, saio do carro encosto-me a ele, respiro fundo. Olho para o mar e para a lua espelhada nele, sabem mais do que eu. Conhecem-me e sabem que este encontro já estava a demorar. Mas cá estou eu para me confessar e para ouvir a minha sentença. Vou rebuscar os meus receios, as minhas ambições, os meus desejos, espalho-os a todos no tapete imaginário. Estou aqui, mais uma vez a procura de paz, de respostas, de magia, estou aqui. Reflicto, medito, relaxo. Sou forte digo sem voz.
Deixo a brisa, envolver-me, fecho os olhos e sorrio, já posso voltar.

O cd dança de novo, é o Frankie Valli, vamos a isso Frankie:

“You're just too good to be true.
Can't take my eyes off you.
You'd be like Heaven to touch.
I wanna hold you so much.
At long last love has arrived
And I thank God I'm alive.
You're just too good to be true.
Can't take my eyes off you.”

Assim é que deveria ser Frankie. E lá vou a caminho de casa pela mesma estrada mágica, com o Frankie e eu a gritar “ You’re just too good to be true…ai ai ai.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Aperta-me o coração

Estou apaixonada e mais não consigo dizer.

"Quando os meus olhos te tocaram
Eu senti que encontrara
A outra metade de mim
Tive medo de acordar
Como se vivesse um sonho
Que não pensei realizar"


" Quando eu te falei de amor." André Sardet

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Difícil

- Sabes o que é difícil, sabes lá tu. Difícil é achar uma agulha num palheiro.
- Tu já procuraste uma agulha num palheiro?
- Não.
- Então não é difícil. Não é difícil, porque não experimentaste.
- Ai sim, então diz lá o que é difícil.
- Difícil é beber 100 cervejas e não ficar bêbado. Isso é que é difícil.
- Ah ah ah, pois é. Mas tu nunca bebeste 100 cervejas de uma vez, portanto também não podes dizer que é difícil.
- Hum, quem disse que eu nunca bebi tanta cerveja.
- Digo eu, que estou quase sempre contigo nas noitadas.
- Olha difícil, é andar na chuva sem chapéu e sair dali sem se molhar.
- Olha, olha, essa também eu. Tens que dizer uma mais difícil.
- Porque?
- Ora, porque essa é demasiado lógica.
- Esta bem…hum difícil, difícil é fumar uma ganza e não ficar ganzado.
- Ah ah ah, isso não é difícil. A isso chama-se a caminho da moca.
- É pá que tu és mesmo parvo, então diz lá uma difícil.
- Difícil, difícil, é eu atirar-me dum penhasco de 200 metros de altura, com pedras lá no fundo, com silvas, e vidros e sair dali sem um arranhão.
- Pois era, mas sabes, acho que isso é mesmo difícil, porque o mais fácil era nem saíres dali vivo.
- Ai isso era, mas olha que mais difícil era depois de morto ir para o céu. Ah, ah, ah…
- Ah, ah, ah, …
- É pá vocês são capazes de se calar com essa conversa, daqui a pouco digo vos eu, o que é mesmo difícil.
- Diz lá o que é.
- É atravessar a pé, a ponte 25 de Abril, ás 4 da manhã com a bebedeira que vocês os dois estão. E ainda por cima morarem em Odivelas e terem gasto o dinheiro todo nas bebidas. Querem experimentar?
- Não deixa estar, essa é mesmo difícil.

(1 ford, 3 moças, 2 moços e duas grandes bebedeiras numa madrugada )

quarta-feira, 11 de abril de 2007

É uma trama de vida

03h00 – Olho novamente para o relógio. Que tortura. Fecho os olhos.
03h30 – Devia dormir. Assim vou chegar com uma cara de meter medo ao susto.
04h45 – Falta pouco, mas ainda dá para descansar uns minutos. Fecho os olhos novamente.
05h15 – Tenho tudo arrumado não falta nada, mas sinto que falta tudo. O alarme não tarda nada esta a tocar.
05h29 – Que vida a minha, falta um minuto. É melhor pular da cama.
05h35 – Tomo banho, deixo a água escorrer pelo corpo, e peço que me lave a alma, mas isso demoraria muito tempo, e também muito gel. Deixo-me de tretas e saio do chuveiro.
06h10 – Tenho um voo a minha espera, não posso dormir em pé, tenho de ir. Odeio esta viagem até ao aeroporto. Quantas mais vezes a faço, mais me custa. Estou-me a torturar, tenho de tirar estes pensamentos da minha mente.
07h00 – Tanta gente, este check-in esta apinhado. Posso sempre desistir. Posso sempre voltar para trás. Mas seria cobarde e isso não sou, pelo menos nem vontade para o ser tenho.
07h30 – Olho para as escadas da sala de embarque, tenho de subir. Apresento o BI ao guarda de serviço. Ele olha e sorri, deseja-me boa viagem. Queria antes que ele dissesse “Volta para casa pá, o que é que vais para lá fazer”. Mas não, sinaliza com mão para onde devo seguir. Tão simpático, penso eu. Mas nem a sua simpatia me vai fazer sorrir.
08h00 – Estou dentro do avião, olho para fora, vejo o mar, vejo gente na varanda do aeroporto. Uns choram, outros sorriem. A mim não me apetece sorrir, e chorar seria compreensível, mas mesmo assim embaraçoso.
09h25 – Desembarco em Lisboa. Voltei, coloco o resto da armadura, o combate está a minha espera, na saída das partidas. Respiro fundo e abro os olhos.


Ontem apertei o relógio para ter tempo para todos. Telefonei a quem pude, despedi-me pelo telefone, estive com aqueles que consegui.
Chorei sem lágrimas, pelo momento que vivo. Estou insatisfeita, o ombro amigo ouviu-me e deixo-me falar, não me disse que estava certa nem errada, deixou-me chorar sem lágrimas.
Odeio chorar sem lágrimas, é mais difícil. É saber que, quer chore ou não, o que falta fazer continua por fazer. Esta ali a olhar para mim, como se eu fosse uma criança birrenta. - Ná, ná nana, olha o bebé a chorar! Goza-me o medo com sua irmã a frustração.
Olho para o copo, olho para a noite, olho para quem esta a meu lado e penso que mais posso pedir. Não, não chega, só viver de momentos não chega. Esta na altura de fazer escolhas, de vestir a armadura já gasta de outras batalhas e lutar.
Ergo o corpo, e cumpro o meu destino. Peço que a estrada não acabe, enquanto está durar, o tempo vai ter de se conter.
Chego e despeço-me do luar. Mas porquê, que nas despedidas, normalmente o dia esta radioso ou a noite está deslumbrante. Dava jeito que chovesse era mais dramático, mas teatral.
Vou me deitar e choro novamente sem lágrimas, estou de novo a partir. Deixo para trás a promessa de uma vida que não vivo, mas que me parece ser sempre melhor. É aquele recanto que eu sei, que aconteça o que acontecer, será bom voltar.
Fico dividida entre a razão e o coração. Penso no meu trajecto de vida e questiono-me se é assim que quero estar. Viver com um pé de cada lado da linha. Exausta adormeço.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Los que comentam ( acho que é assim que se escreve)

Caros amigos e leitores da bloglândia,

Venho por este meio agradecer, não só o número de visitas como também o número de comentários.
Pelo número de comentários? Perguntam vocês, mas são tão pouquinhos. Pois é, são poucos mas bons, e representam minutos gastos a pensar, a gastar calorias e no fim para dizerem que gostaram, que discordam ou até que ficam a espera de mais. O meu muito obrigado.

Mas e há sempre um mas, queria pedir que não me enviassem comentários sobre o que lêem, para os e-mails do trabalho ou mensagens para o telemóvel. Fico sempre tentada a responder e quando não o faço sinto-me culpada. A não ser que seja mesmo um segredinho (e vocês sabem que nesse caso tem mesmo de ser), estejam a vontade para comentar aqui. É mais fixe, motiva-me, e sempre me põem um sorriso na cara …ou não.

Falando de exemplos mais concretos o texto “ Tentação senhora do meu prazer” suscitou muita empolgação, e eu compreendo. Gostam de festa, se eu não vós conhecesse. E sei que estão a espera de mais “sem vergolhice” da minha parte. Sabem muito, querem ver se me apanham. Mas vamos devagar.
Recebi comentários, desde a facção mais liberal, a mais conservadora. Sim, é verdade também ouvi sermões a conta dele. Mas os comentários não aparecem aqui, pois só a Las Vegas comentou, o resto do pessoal divertiu-se a mandar-me mensagens para o telelé. Sejamos bondosos e venham também aqui partilhar a vossa luxúria. Santinhos!

Por falar neste texto, quero agradecer ao senhor ou menino (espero mesmo que tenha sido um senhor ou menino, pois no feminino custa-me aceitar a ideia), que enviou os morangos e a garrafa de champanhe para o meu trabalho, foi lindo mas o cartão só dizia “ saboreámos” e mais nada. Foi um gesto simpático e anónimo. Gostei da gracinha original, mas como devem calcular tive de comer e beber sozinha ou quase sozinha. E já agora aproveito para dizer que também gosto de Jaguares. Quem sabe não me aparece um a porta de casa.


Bem ajam!