quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Dança comigo!

Dança comigo, dança comigo agora. Não ouves a música. Como podes estar aí parado e não me vens buscar para dançar.
Queria tanto dançar. A música já vai a meio e tu não vens, a meio já não tem graça, mas continua a ter alguma. Ainda vais à tempo, anda-la agarra-me e faz-me sentir-te, encostado a mim, o teu calor, o teu balanço. Dança comigo. Eu fecharei os olhos e sonharei com um lugar perfeito, mas terá de ser a dançar contigo. Só assim resultará, aqui agarrada a um copo sozinha, não irei sonhar eu sei. A música já acabou, deixa estar.

- Olá, sou o João, queres dançar?
- Olá, sou a Paris, a música já acabou.
- Eu sei, não tarda nada já estará a tocar outra. (diz enquanto agarra a minha mão de forma firme e fixa os meus olhos)
- Aceito. (digo eu enquanto afasto o olhar e encaminho-me para a pista)
No ar o cheiro a cigarrilha de café, as luzes iluminam como se fossem velas, as paredes e sofás são forrados a veludo preto e vermelho, toca Dont’ break my hearth dos Vaya con Dios e por momentos, por momentos eu sinto-me no céu.

Dois estranhos, um bar, um slow e uma noite solitária e chuvosa de Lisboa.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Façam o favor!

Podia começar por desejar um bom ano, blá blá blá, mas isso implicaria que todos os dias do ano teriam de ser bons. Sejamos realistas isso é difícil.
Mas e como há sempre um mas, quero apenas deixar uns conselhos para que pelo menos alguns dias deste novo ano sejam bons no mínimo.

- Livrem-se dos manipuladores, estes encontram-se infiltrados em membros das nossas famílias, nas nossas amizades, nos nossos colegas de trabalho. Obrigam-nos a ser o que não queremos ser, a aceitar, a baixar a cabeça e a engolir. Este ano fujam dos manipuladores, livrem-se de forma subtil, mas invistam numa acção tipo 007. Afinal de contas não queremos que eles dêem de conta que perderam um escravo/a das suas tiranias.

- Escolham dois desejos que sejam possíveis realizar e realizem-nos, não há desculpa se entre todos os sonhos e desejos escolherem dois que possam realmente realizar. Toca agir. E vale tudo desde as coisas mais simples as mais complicadas.

- Invistam no amor. No amor-próprio, no amor pelo próximo, no amor pela vida. Amar e ser amado é essencial na vida. Se não somos amados da forma que queremos, porque não investir na forma como amamos. Dizem que quem dá, recebe o dobro.

- Cuidem-se. Pela vossa saúde mental e física cuidem-se. E parem por favor de se queixar ao espelho. O espelho não tem culpa, se não nós apetece sair e andar meia hora por dia, o espelho não tem culpa se não sabemos controlar o que metemos na boca. Se não gostam do que vêm, peçam ajuda para uma mudança de visual. A mudança pode começar por fora, mas acaba por nos beneficiar por dentro. Mas parem de se queixar.

- Há aquelas pessoas com as quais nos cruzamos todos os dias e que têm o poder de nós causar mal-estar. Ou porque são más ou porque como dizem alguns não há quem os fo.., e então passam a vida a fo… a vida dos outros. A solução é fazer alguma coisa, ignorem, desprezem, mande-os procurar gambozinos, mas façam alguma coisa. Já bastam as nossas tretas, para ainda termos de aturar as tretas dos outros.

Do ano de 2007 ficou-me uma frase que ouvi num programa de televisão dito por uma “cota”. Dizia ela mais ou menos assim “ quando era mais nova reclamava, por não ter o corpo perfeito, não gostava do meu nariz e por ai fora… com os anos aprendi que o meu corpo é fantástico apesar da sua aparência ele funciona e isso é maravilhoso”. Vamos brindar ao facto de estarmos vivos, de podermos respirar, levantarmo-nos todos os dias, de andar, falar, cheirar, saborear.
Durante este ano, todos os dias podem ser dias de mudança, todos os dias podemos reinventarmo-nos, podemos ser diferentes, melhores.

Tenho dias que ajo como uma Marilyn Monroe, outros pareço a Madre Teresa de Calcutá, tenho um amigo que tem dias de Brad Pitt e outros que mais parece o Ronaldo a fintar os reveses da vida. O meu desejo para 2008 é de que escolham quem querem ser e sejam felizes e sempre que a personagem falhar reinventem-se. Só se vive uma vida de cada vez, investe nesta. Boa viagem!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Lingerie

Ligaste para dizer que precisas de falar comigo. Eu aceito vamos lá falar.
São 5 da tarde, combinamos na Brasileira. Cheguei mas cedo é uma técnica que uso há anos. Chegar cedo evita ter de ser eu a primeira a cumprimentar. Vesti-me à matar, aquele matar devagarinho. Vais ficar na dúvida se vesti-me para ti ou se nem por isso.
Coloquei o perfume, aquele que tu gostas tanto, estás lixado. Sim eu vim preparada para te castigar. O brilho que coloquei nos meus lábios pede um beijo e os meus olhos desenhados a lápis preto, prontos para te seduzir.
Estou feita uma leoa, mas trago as garras disfarçadas.

Já lá está. Chegou mais cedo, não percebo, não é suposto as mulheres atrasarem-se. Mas ela chega sempre mais cedo. E agora dou-lhe dois beijos ou só um. Seja o que Deus quiser. Caramba que bonita está. Veio assim para me lixar ou não, ela sempre foi feminina no vestir. Meu Deus e os seus lábios, e aquele olhar, estou feito. Estou mesmo feito. Não faz mal, respira fundo, respira fundo mas não deixes que ela repare. De tonta não tem nada.

- Olá.
- Olá.

Safado vens com essa barba por fazer, vais marcar a minha face quando me beijares. Será que ainda usas o mesmo perfume. Claro que sim que ideia a minha pensar que mudaste assim tanto num mês. E trazes a camisola que te ofereci. Podias ao menos disfarçar, vieste assim para me agradar. Estou quase a rir. Mas não posso, se me riu vais perceber que já te perdoei.

- Então, que me queres dizer?
- Eu queria falar contigo, saber como estas.
- Eu estou óptima, não vês.
- Sim eu vejo que estas. Tenho saudades tuas.
- É natural que tenhas. Era isso que me querias dizer?
- Era.
- Eu não tenho saudades tuas. Se era só isso que me tinhas para dizer, está dito. Tens livros e cd’s em minha casa, são teus não os quero lá.
- Passo hoje por lá, às 22, pode ser?
- Pode. Até logo.

Estou a sentir o seu olhar enquanto dirijo me para o Chiado. Eu sei que tens saudades, eu também tenho, mas isso só vais saber mais logo. Adorei ver-te agonizar só com a ideia de que estou mesmo decidida a não estar contigo.

Lá vai ela, logo nem que me ponha de joelhos, mas ela vai voltar para mim. Ai vai, já não aguento mais, até ando a dormir mal. Nem que me ponha de joelhos, mas vamos voltar.

A última palavra vai ser a minha, sim vamos voltar, fomos feitos um para o outro. Afinal qual é o casal que não tem problemas. Dizem que fazer as pazes é a melhor coisa. Logo veremos.

Entro numa loja de lingerie, hoje vai ser mesmo à matar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Os meus homens.

Gosto, gosto mesmo muito deles. As vezes ponho-me apreciá-los. A espiar os seus tiques, manias, birras. São de todos os tamanhos e feitios. São feios, lindos, altos, baixos, gordos, magros, assim asssim. Mas são homens e só por isso deixam-me intrigada. Por serem diferentes. São diferentes das mulheres e disso não há a menor dúvida, não são nem melhores nem piores. São homens.
Vejo-os como seres mágicos, há algo neles que me faz ficar especada por dentro. A minha alma pára, olha, assimila e segue em frente.
Gosto quando são sensíveis, quando são meigos, quando estão tristes, quando estão felizes, quando dormem, quando andam, quando choram, quando dançam.
É claro que não são perfeitos, nada é. A perfeição é um conjunto de situações que se unem num certo momento. Aí sim, eles conseguem ser perfeitos.
E quando se aprumam, quando querem dar o seu melhor, quando se esforçam por agradar deixam-me sem ar.
Quando são corajosos, altruístas, humildes, deixam-me de lágrimas nós olhos, comovem-me.
O facto de serem como são, conseguem sempre surpreender-me. É claro que há homens maus, mas desses não quero falar, para quê gastar o meu tempo com covardes.
Os Homens são extraordinários, magníficos, maravilhosos. São homens e por existirem fazem o meu mundo de mulher ser mais especial…mais mesmo!

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

As montanhas de silicone

- Acredita em mim, eu já os vi juntos mais que uma vez. Não chores ou melhor chora. Deita tudo cá para fora.
- Mas porquê? Viste a gaja toda vermelha. Deve ter sido cá uma coisa. Mas porquê? Logo ela.
- Oh eu sei lá porquê! É a vida Ana, é a vida.
- Eu fiz tudo por ele.
- Talvez não o suficiente.
- Que queres dizer?
- Sei lá. Quem sou eu para te dizer seja o que for. Talvez pensasses que ele era perfeito. Ele nunca foi, nem será perfeito. Nem tu, nem eu.
- Filosofia! Tens sempre essas frases para dizer.
- Estou a melhorar, olha a minha veia de psicoterapeuta. Ana, já chega, anda para frente, para o lado, para onde tu quiseres, mas sai desta casa de banho que há mais pessoal que precisa dela.
- Porquê, mas porquê eu.
- Porque és linda, inteligente, forte e tu mais que ninguém consegues ultrapassar isto. Deixa-me limpar a tua cara. Credo, estás mesmo feia, não gosto quando choras maquilhada.
- Achas que foram para a cama mais vezes?
- Não sei.
- Sabes sim. Tu sabes, tu topas essas cenas á milhas.
- Bem cama, cama não sei, mas no outro dia saíram da garagem juntos.
- Aquela filha da p…
- E ele é o que?
- Ele é …ele vai ter das boas. Vou sair daqui, direitinha aquele nariz e partir-lho.
- Eu se fosse a ti não fazia isso.
- Tens razão, uma joelhada no abono é mais justo.
- Olha e vais descalça?

Ana sai disparada em direcção ao João, dá-lhe uma joelhada e na volta atira-se a Barbara e aperta-lhe as mamas de silicone.
- Seus c… de m…, agora vão f… para o inferno. Anda uma mulher a tentar ser uma senhora. E estes c…de m…, a darem me cabo da vida.
- Ana tem calma. Vamos embora.
- Deixa-me Sara, deixa-me que eu vou-me a eles.
- Amiga vamos, já fizeste escândalo suficiente.
- Fiz, não fiz, e eu sou uma senhora.
- Pois és, se bem que uma senhora também perde a cabeça e neste caso tens razão.

Arrastei-a para fora do restaurante. E fiz sinal para nós deixarem sós.
- Eu apertei as mamas dela.
- Eu sei, que cena marada.
- Sempre me fizeram confusão, sempre apontadas para o céu.
- Estás melhor?
- Sim bem melhor.
- Calça-te. Ganda maluca apertaste as mamas dela, de onde foste buscar essa.
- Não sei, mas parece-me que ninguém vai esquecer esta festa.
- Ai não vão mesmo. Foi o vosso aniversário de casamento mais divertido. Desculpa!
- Não te desculpes, eu achei o máximo e amanhã atiro com as roupas dele pela janela. Queres ir tomar chá para assistires.
- Amiga, não perco essa.
- Obrigada.
- Sempre as ordens.

Ficamos sentadas a ver o pôr-do-sol no guincho. A Ana soltava um suspiro de vez enquando. Parecia calma e quase que ia jurar que aliviada.
- É a vida Ana, é a vida.
- Filosofia! Tens sempre essas frases para dizer.
- É a vida.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Rebuçado de morango

As nossas escolhas são como os rebuçados de vários sabores. Se metes mais que um na boca obténs uma mescla, podes acabar por obter uma mescla boa ou então mer.. . Se escolhes comer um de cada vez, os sabores vão variando uns mais doces, outros mais amargos.
As escolhas são assim doces e amargas.
Eu admiro as pessoas que admitem e levam a cabo e se aguentam a bronca nas suas escolhas. Eu escolhi ser assim, posso demorar a escolher, mas depois de decidir saiam da frente, seja elo sim ou pelo não.
Com o passar dos anos aprendi a não adiar, quem adia só perde. A sério! Adiar o fim, só adia o princípio. E custa-me quando olho para trás e percebo que o fiz algumas vezes, e ainda assim contam, contam o suficiente para ter medo e não demorar a escolher.
Falo de relações, de trabalhos, de palavras, de tardes, de noites, de sonhos, de momentos que adiei, por não me decidir a escolher e quando o fiz ou seja se me decidi pelo sim, já não teve aquele gosto, porque enfim, a angústia da indecisão tirou a graça a coisa.
Se escolho o não, decido que vou ter de viver com essa decisão. Escolher o não é lixado. O sim pelo menos, podemos arrependermo-nos porque fizemos, aproveitamos, estragamos, rasgamos, e por ai fora. O não, é o ficar naquela poderia ter feito e não fiz, portanto a dúvida acaba por reinar. Um reinado curto na minha vida, isto porque há alguns anos atrás alguém me disse, “quando algo me pressiona, livro-me logo do que me esta a pressionar seja o que for é que nem dou tempo para deixar que isso me mine, se me pressiona é porque me está a fazer mal”. Assim é a dúvida em mim, não dura muito, paro por uns minutos avalio e escolho. Ou vai ou racha, seja o que Deus quiser e todos os santos.
Mas há aquelas situações em que a escolha é danada, sabemos que vamos nós arrepender logo, mas a tentação não nós deixa pensar e saltamos literalmente para o colo, para a cama, para a mesa, enfim somos humanos. E depois desses momentos esfregamos uma mão na outra e dizemos para dentro “que se lixe, já esta”. Errar é humano e o querer também.
As escolhas que fazemos na vida são o resultado da ginástica que fazemos entre o queremos, o que os outros esperam de nós e a nossa consciência. Eu fico-me primeiro pela minha consciência, depois pelo que quero e por fim pelo que os outros esperam de mim.
É claro que não é assim tão fácil de gerir, mas é uma das vantagens de andar por cá já alguns anos, saber que independentemente das minhas escolhas, na hora de dormir é bom que não me pese a consciência. É bom que reveja o meu dia e acredite mesmo que dei o meu melhor. O meu melhor para ser e fazer feliz.

Escolhi um rebuçado de morango. E tu?

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Meu melhor amigo meu amor!

És meu amigo, meu conselheiro, meu companheiro das traquinices, das noitadas. Safávamos sempre um ao outro quando necessário. Chegamos a mentir, para salvaguardar a imagem do outro. Cúmplices em tudo.
Chorei muitas vezes no teu ombro, por outros me terem partido o coração. Rimos tantas vezes, vezes sem conta. Até me doerem as bochechas e tu me chamares de palhaça. Sou sim uma palhaça, que sempre teve o prazer de te ter na plateia.
Somos tão amigos que já partilhamos a mesma cama, a mesma mesa, até a tua roupa. A minha era demasiado feminina dizias tu. E isto tudo sem pensar que podíamos ser mais. Somos tão amigos, que não tenho vergonha de ser como sou quando estou contigo. Somos tão amigos que a tua dor é a minha, a tua alegria é a minha. Tão amigos que se te vejo doente também fico, que se te armas em louco e corajoso, eu fico ao teu lado.
Tão amigos que guardamos aquelas confidências, que não fazemos a mais ninguém.
Tão amigos que os silêncios, as lágrimas, os sorrisos falam.
As vezes lembro-me dos teus abraços, sinto-me muito segura. Lembro-me também das vezes que me desfizeste o penteado, estando eu pronta para sair, por capricho, para me arreliares, zangava-me gritava, mas no fim beijava-te na face e gritava “ wish me luck”.
Quantas vezes te disse, sinto-me mesmo bem ao pé de ti. E hoje, aqui, a poucos minutos de te casares, perguntas-me se erraste.
E eu digo-te, tu nunca erraste, a vida assim não quis. Há amizades perfeitas, mas os amores, esses são difíceis de serem perfeitos.
Perguntas-me se nunca existiu desejo, claro que sim, muitas vezes quanto de via, com as tuas namoradas, imaginava-me sendo eu a estar ali de mão dada contigo. Mas depois pensava, que bom era te ter como amigo, és demasiado precioso para mim. Elas foram mais eu fiquei, eles foram mas tu ficaste. Aos amigos perdoamos os defeitos, as pancadas, os caprichos. Aos amores perdoamos enquanto duram. E eu quero ficar para sempre contigo. Escolho a nossa amizade, escolho poder olhar para ti sem ressentimento, sem dor. Quero ver-te feliz, mas a tua felicidade não passa por mim, eu sou uma parte a parte que terás sempre como certa. E eu quero pensar que tu também és assim, que serás sempre certo na minha vida.
- E ela? Ela será a tua mulher, a tua companheira a tua confidente, o teu amor. E eu serei, o melhor que posso ser, a tua amiga. A ela amas de corpo e coração, a mim de vida e alma.
Há amizades que são maiores que muitos amores e a nossa hoje é maior que isto tudo. Repete comigo: “Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, amigos para sempre!”
Estás lindo, agora vai e sê feliz.

Dedicado aquelas amizades que tocam o amor verdadeiro.

sábado, 13 de outubro de 2007

HOMENS ASSIM SIM!

Tenho ouvido muitas queixas dos meus amigos homens, acerca das mulheres que não os largam. Que andam doidas por eles. Querem curtir, querem a tal “one night stand”, namorar, juntarem-se e pior até casar com eles.
Andam apavorados os meus amigos e não é que não gostem de mulheres não nada disso, simplesmente dizem que são tantas que já começa a ser difícil dar conta de alguns recados.
Estão-me sempre a importunar com este assunto, que resolvi dar-lhes uns conselhos de como afastá-las do caminho.

Ora, assim sendo para quem precise do mesmo remédio cá vai:

Não devem levar-nos á jantar, abrirem a porta do carro, puxar a cadeira para nós nos sentarmos, pedirem por nós e dizerem que estamos lindas. Não, não, não. É algo mesmo a evitar. 75% de nós mulheres é a favor de cavalheirismo nos momentos certos. Logo nada disso.

Devem evitar a todo custo terem bom hálito. Saber a pastilha de mentol, morango ou outro. Um beijo destes saborosos bem articulado, pode vos custar um estado civil. Entenderam bem.

Quando estamos tristes e em baixo, não nos dêem colo, não, não. Não nos recordem o quanto somos maravilhosas e importantes nas vossas vidas. Pois se o fizerem e mais se for mesmo verdade, para além de nós, até a nossa mãe andará atrás de vocês.


Não devem depilar-se, a sério. 90% de nós gosta muito, de peitos depilados ou no mínimo o mais curto possível em todos os sítios possíveis. Portanto nada de depilação.
Nem cuidados de higiene como o belo do banho sempre em dia, as unhas bem cuidadas e os pêlos do nariz aparados. Não usem desodorizante e não passem hidratante no rosto e no corpo isso, meus caros leva-nos ao delírio. Só nos apetece esfregarmo-nos todas em vocês.


Não deixem de ir ao futebol por nossa causa. Quem diz futebol, diz tudo o que vocês apregoam como sendo de extrema importância para o vosso ego masculino. Somos capazes de dar pulos de alegria, por nos terem escolhido em detrimento de uma noite bem passada num estádio qualquer seguido de umas cervejas. Como agradecimento queremos passar ao resto do tempo agarradas a vocês a realizar todos os vossos desejos. Agarradas como lapas, sim mesmo lapas.

Pelo amor da santa não pratiquem desporto. 65% das mulheres jura de pés juntos que não resiste a uma sessão de sexo louco quando se trata de um corpo habituado aos alteres, tapete, bicicleta, futebol, basket, piscina. Qualquer uma destas actividades é um verdadeiro chamariz de gajas. Mantenham-se longe!


Se com aplicação de pelo menos 3 destas regras, não conseguirem um pouco de paz. Experimentem não oferecer flores ou bombons, mas tarde ou mais cedo ela troca-vos pelo carteiro.



Nota: Resultado das estáticas foi conseguido, através dos encontros de fofoquices, com as vizinhas, amigas e especialmente com estranhas que, desabafam em casas de banho públicas.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

A OUTRA II - Passou-se!?

- Que estás aqui a fazer?
- Vim falar contigo.
- Agora não dá.
- Agora dá, vai ter que dar.
- Mas amor!
- Mas amor porra nenhuma! Porquê esse ar de espanto. A pois, desculpa uma senhora não diz porra. Pelo menos não dizia.
- Disseste que estava tudo terminado, foste tu que decidiste. E agora porque estás assim?
- Porquê? Porquê? Porque não me largas, porque não me deixas. Estás colado a mim, na minha pele, na minha memória. Agarras-me como se o ontem fosse o hoje. Ainda não percebeste que já acabou. Ao fim deste tempo, depois de tantos momentos sem ti, percebo que ainda não percebeste. Eu já não te pertenço. Amei-te de forma diferente. Respirava-te, acariciava-te, mimava-te como a ninguém. Dei de mim e quis dar mais do que é humanamente possível. Os teus defeitos, a tua ignorância, a tua arrogância eram perdoáveis. E eu que não perdoo. Descobri que não me perdoo, por ter te dado a mim. A mim. Sai de mim. Quero apagar de mim o que me une a ti. Essas lembranças de momentos que me prendem aos cheiros, as cores, as emoções. Desaparece, mas desaparece de mim.
- Não sei o que é isso.
- Não sabes eu elucido-te. Desaparecer de mim, quer dizer, tira de mim o sabor dos teus beijos, isso mesmo. Tira de mim, o toque da tua pele. Tira de mim o desejo de te ter. Tira de mim essa ilusão de que a teu lado estou bem. Porque a meu lado não esta nada. Nada. Enquanto tu fores o meu presente, não és nada. Tenho de conseguir tirar-te de mim, para seres alguma coisa.
- Não percebo o que dizes! Mas nós estávamos tão bem.
- Bem? Se estávamos bem. Então eu quero estar mal. Sim mal, agoniada, magoada, lixada, fodida, quero estar assim. Porque se bem é estar assim. Então prefiro estar mal. Pelo menos assim sei como estou, não vou precisar de ti para me sentir.
- Mas porquê? Porquê isso tudo agora.
- Agora! Porque não vai ser amanhã, porque tem de ser agora.
- Assim de repente.
- Sim assim de repente deixei de gostar de orquídeas e em consequência disso, vi que gostava mais de mim. Ora se gosto mais de mim, não posso mesmo gostar de alguém como tu. Logo tu estás fora de jogo.
- E vais te embora assim.
-Vou, mas volto. Sabes que volto. Um dia vamos esbarrar um no outro, numa esquina, num café, num elevador. Mas não me vais ver como vês hoje. Porque hoje eu sou a outra. Mas amanhã eu serei o que nunca tiveste mas sempre desejaste. E nesse dia eu vou olhar para ti com carinho, pelos bons momentos e pelos maus. Porque o que não nos mata torna-nos mais fortes!? Vou mas não te esqueças que volto.





sábado, 22 de setembro de 2007

A OUTRA

A outra veste-se bem, a outra maquilha-se, a outra usa lingerie de renda, a outra usa saltos altos. A outra tem uma opinião sobre tudo. A outra sabe sorrir. A outra sabe seduzir. A outra não anda, desliza. A outra cheira bem.

A outra quando beija, deixa um pouco de si. O seu cheiro, o seu calor, o seu ar. A outra tem o corpo bem definido, não é perfeição mas é uma visão.

A outra espera pelo toque do telefone. São uma da tarde, combinaram almoçar juntos, num restaurante qualquer, bom mas discreto. Ele liga a dizer que está a chegar. Espera que a outra, o receba com aquele sorriso que ele tanto gosta. Chegam ao restaurante, ele puxa a cadeira, ela senta-se. Ele pergunta o que a outra quer comer e sugere um vinho. A outra agradece as flores que ele enviou. Orquídeas as suas preferidas.
A outra diz-lhe que tem bilhetes para a peça de teatro. Ele responde que vai. Ele fala-lhe de um fim-de-semana em Paris. E a outra aceita. Acabam o almoço ele despede-se dela com um beijo apaixonado.

Ela prepara-lhe o jantar e deita os miúdos. Ele chega a casa e diz que tem de sair para uma reunião. Precisa que ela lhe prepare aquela camisa que ele tanto gosta, enquanto toma um duche rápido. Ela ajusta-lhe a gravata, alinha-lhe o casaco. Ele comunica-lhe que vai ter de ir a França no fim-de-semana, precisa que ela lhe prepare a mala. Durante o jantar, ela informa-o que os miúdos estão bem, que já dormem. Que tem uma reunião na escola para a semana e que o mais velho vai inscrever-se no futebol. Ele beija-lhe a testa e deseja-lhe boa noite. Ela fica a porta a vê-lo sair.

Ele chega, a outra já está a espera dele. Cumprimentam-se com um beijo fugaz, ele olha-a deslumbrado e ela cora. A outra olha-o. A camisa impecavelmente engomada, o nó da gravata perfeito. Vão ver a peça juntos, vão beber um copo juntos. No final da noite e depois de uma passagem rápida pela casa da outra, ele volta para casa sozinho.

Ele chega a casa deita-se ao lado dela, ela aconchega-se nele e beija-o, sente um outro perfume. Cerra os olhos e volta adormecer.
Pela manhã ele acorda primeiro, prepara o café que tomam juntos todos os dias. Falam do que cada um vai fazer durante o dia. Ele vai preparar-se para o trabalho, ela vai preparar os miúdos para a escola.
Ele ajuda os miúdos no carro, volta a casa e beija-a deseja-lhe um bom dia e diz-lhe que a ama. Ela sorri, sabe que é verdade.

São uma da tarde e a outra aguarda a chamada dele.

A outra sabe que ele tem ela. Ela sabe que ele tem a outra. A outra quer ser a ela dele e ela quer ser a outra dele.

Num mundo perfeito a outra e ela seriam uma pessoa só. No mundo real existem ilhas perfeitas.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

José Afonso

Quinta-feira a noite, vou para a “borga” dançar e conviver com bons amigos. Acabada a noite e a despedida do pessoal, encaminho-me para o meu carro. Abro a porta, entro e ligo o carro. Olho para o vidro e vejo uns papéis. Só pelo facto de não querer ter o azar de chover e estes se colarem ao vidro resolvi sair e retira-los. Não gosto de deitar papéis no chão, atiro-os para o banco do lado e lá vou eu.
Ao chegar à casa, olho para os papéis e percebo que não é mais um dos muitos bilhetinhos com números de telefones ou mensagens, mas sim uns bilhetes de uma estreia. Reparo na data e já passou, reviro os bilhetes e encontro um nome. O nome do dono dos bilhetes e mais nada, nem uma mensagem, nem um número. Só informação cultural.
Estranho penso eu. E mais estranho é alguém decidir fazer do meu carro seu caixote do lixo. Enfim decidi não pensar nisso, mas deixei os bilhetes em cima da mesa.

Sexta-feira depois das lides profissionais, fiquei com a tarde livre. Vou para a baixa de Lisboa. Adoro a baixa, Lisboa vive-se ali. Nas ruelas, nos passeios, nas praças, nas Igrejas escondidas, nos botecos. Nos turistas de rua, nas Marias, nas Madalenas, nos Zés, nos Quins e em mim. Faço o roteiro do costume e dirijo-me para Belém. Passeio pelos jardins, vou beijar o rio e cruzo o olhar com o Centro Cultural de Belém. Este pisca-me o olho, já lhe devo uma visita há algum tempo.

Entro na recepção e pergunto pelo Museu da Colecção Berardo. Pergunto se a entrada é paga, respondem que não. E eu sorrio e mando cumprimentos ao “tio” Joe.

E agora podia armar-me aqui em intelectual e tal, que entendo muito de arte e tal. Mas não, fui realizar um desejo, adoro o surrealismo e ali estão, não as melhores obras, apenas algumas representativas.
A meu ver Dali é o Tal e dele apenas uma obra e nem era um quadro. De resto o Surrealismo é assim mesmo uma linha, um objecto deformado, uma névoa e o seu significado passa a ter outra dimensão. É muito interessante ver o que para um, é definido como uma tarde solarenga e no mundo real ou não, é apenas um peixe num prato.
Adorei a exposição, fiquei espantada pela sua organização, pelas obras apresentadas e pela sua “ magia”. Surrealismo “rules”.
Retirei-me do Museu um pouco mais rica. O tio Joe pagou o bilhete e afinal de contas a arte é de todos, logo aquele quadro de Picasso também é meu.

De saída encaro com uma placa onde apresentam a primeira apresentação pública de uma nova orquestra, a Orquestra de Câmara Portuguesa, fundada e dirigida por Pedro Carneiro. Fez se luz, os bilhetes deixados no meu carro eram os da estreia. Já usados obviamente.

Fiquei a pensar, se teriam sido os bilhetes a levarem-me ali. Que estes tivessem influenciado a minha tarde. Afinal com tanto sítio para passar a tarde, dou por mim no CCB, a ver uma exposição sobre o surrealismo, quando podia estar assistir uma sessão de treinos do Sporting. Enfim uma situação digna deste movimento. Decidi ir comer pastéis de Belém.

Querem mais surreal que isto: uma tarde em Lisboa, uma exposição surreal, uns bilhetes usados e pastéis de nata. Misturem tudo e "voilá". Não temos artista mas temos concerteza mote para um bom quadro servido a moda de Dali ou Cesariny.


P.S. – E já agora obrigada José Afonso, queira por favor deixar para a próxima bilhetes válidos. E dois.

sábado, 1 de setembro de 2007

Enquanto dormes

Ao fim de tantos anos, está ali ao meu lado e dorme. Olho para o que desejei, a ele, somente a ele, um desejo de partilha, entrega, submissão.
Lembrei-me da Ana, ela ama tanto o namorado, mas também ele dorme. Penso na Carla ela ama tanto o marido, mas também ele dorme. Penso em mim e eu amo-o tanto mas ele também dorme.

Foram envenenados com a confiança, de nós ter ali ao lado. Acordam de leve a meio da noite, esticam o braço, sentem a nossa pele e voltam adormecer.

Sentamo-nos a mesa, ele come e eu olho para ele. Pergunto-lhe como correu dia, se gostou da minha surpresa, se gosta de mim. E ele automaticamente responde a tudo que sim. Olho bem e reparo que afinal ele dorme.

Entramos no quarto, abraça-me, aperta-me e eu sei o que ele quer. Fazemos amor!? Não. É sexo, porque olho para ele e ele dorme.

Levantamo-nos pela manhã, é domingo. Digo-lhe que quero ir até a praia. A esta hora ainda está bom para passear. Ele diz que sim.

Avançamos pelo areal. Enterro os pés na areia molhada e gelada. Respiro fundo, o vento brinca com o meu cabelo e recordo um dia, uma tarde, uma noite em que fui feliz. Abraça-me como se conseguisse ler os meus pensamentos. Fico com medo, mas afinal não, é só um abraço. Um abraço frio, porque ele dorme.


Enquanto eles dormem, nós sonhamos, com homens de carne e osso que sentem medo, que choram, que sofrem, que vivem, que pretendem, que se atiram, que se excitam, que ambicionam.

Enquanto ele dorme a vida avança. A minha, a da Ana, a da Carla. Enquanto eles dormem, nós acordadas vemos o mundo e desejamos e lutamos, por alguém acordado, por alguém que nunca durma. Porque precisamos de quem nos vele o sono.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Noctívagadas

Saio a noite, vesti-me como se fosse para uma festa. A vida é uma festa. Porque não celebra-la, penso eu.
Saio do carro, dou uma volta, miro o vestido que trago. Que delicia, sabe mesmo bem esta seda no corpo. Esta cá um calor, mas não faz mal, até sabe bem, o perfume fica mais intenso.
Chego e cumprimento o pessoal do bar. Olho para a minha mesa preferida e está ocupada. Faço um ar de descontente. O Luis empregado do bar, meu conhecido há anos, oferece-me outra. Faço beicinho e digo que não, eu quero aquela. Sem saber o que dizer oferece-me uma cadeira junto ao bar. Aceito esperar ali, afinal não vão ficar lá a noite toda.
Sinto um perfume masculino delicioso. Caramba, não há de uma mulher ficar louca com estes aromas. Olho para o lado, interessante. Bem vestido e cheiroso. Ele sorri eu não. Não vá pensar que lhe estou a dar espaço.
- Que guapa! Diz ele. E eu penso, mau maria, oh espanholito deixa-te estar por aí que eu hoje não estou para aí virada.
- Queres bailar!
Ai ai, que este é dos matadores.
- Não obrigada.
- Eres portuguesa?
E insiste o desgraçado. Volto-me para ele e respondo em bom inglês! - I’m sorry, am not portuguese.
Esta costuma resultar sempre, não conheço um espanhol que goste ou saiba falar inglês correctamente.
- Oh am american!
E eu penso, shit que este vai ser difícil de descartar.
- Am sorry am not into you! Sou o mais directa possível. Traduzindo “ desculpa-me mas não tou na tua”. Aprendi isto na Oprah. E não é que resulta mesmo!
O gajo olha para mim e chama-me bitch. Eu olho para ele e chamo-lhe loser.
Entre bicth e loser, prefiro definitivamente bitch. As bitches são vencedoras. São as que dão que falar, pelos bons e maus motivos. E a frase mais conhecida entre as mulheres, é que as bitches ficam sempre com o melhor. Portanto o loser até tem razão.
Até que enfim vejo chegar o pessoal.
- Então chatearam-te muito!? Pergunta o Pedro a gozar.
- Não, só um "son of a bitch". Respondo a sorrir.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Encosta-te e tatua-me

Encosta-te a mim, encosta-te e canta no meu ouvido. Sabe-me a mel as tuas palavras.
Ai tiras-me do sério só de pensar no que estás a dizer. Arrepio-me toda, tal é a delícia das tuas palavras. É como se soprasses na minha pele nua.
Falas de um passado que sinto, ainda a palpitar nas veias. Tão recente, tão saboroso.
Encosta-te a mim e sussurra-me ao ouvido. Fala-me com paixão, fala-me de tudo o que queres fazer comigo. Ganha coragem e deixa-te levar, magoa-me se for preciso, quero ficar tatuada.

Abraça-me pela cintura e faz me esquecer. Esquecer tudo menos esta canção.
Sabe-me a mel, a beijos arrojados e a amor. Sabe-me muito bem.

Canta Jorge, canta e mata a sede que há em mim.

"Encosta-te a mim
Encosta-te a mim, nós já vivemos cem mil anos
encosta-te a mim, talvez eu esteja a exagerar
encosta-te a mim, dá cabo dos teus desenganos
não queiras ver quem eu não sou, deixa-me chegar.

Chegado da guerra, fiz tudo p´ra sobreviver
em nome da terra, no fundo p´ra te merecer
recebe-me bem, não desencantes os meus passos
faz de mim o teu herói, não quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim.

Encosta-te a mim, desatinamos tantas vezes
vizinha de mim, deixa ser meu o teu quintal
recebe esta pomba que não está armadilhada
foi comprada, foi roubada, seja como for.

Eu venho do nada porque arrasei o que não quis
em nome da estrada onde só quero ser feliz
enrosca-te a mim, vai desarmar a flor queimada
vai beijar o homem-bomba, quero adormecer.

Tudo o que eu vi, estou a partilhar contigo
o que não vivi, um dia hei-de inventar contigo
sei que não sei, às vezes entender o teu olhar
mas quero-te bem, encosta-te a mim."


Jorge Palma, in Voo Nocturno ( até doi ouvir esta música )

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Fui encontrada e presente ao Juiz

- Apresente-se ao tribunal. E explique a sua queixa.
- Sr. Dr. Juiz, venho apresentar a minha versão dos factos, para justificar o facto de ter estado perdida. Reconhecer perante o Tribunal que errei, mas que agi por ingenuidade.
- Sr.ª Doutora Laudy faça o favor de apresentar a vossa defesa.
- Amiga não te preocupes vai correr tudo bem! Diz-me a minha melhor amiga que achou por bem intervir em minha defesa.
- Sr Dr Juiz, a minha cliente agiu de boa fé, foi apanhada de surpresa, pelas estradas da vida. Ou seja com as calcinhas na mão.
- Ai amiga calcinhas na mão, amiga não digas isso. Digo eu embaraçada.
- Não te preocupes é apenas uma expressão. Pisca-me o olho e continua. - Como estava a dizer Sr. Dr. Juiz com as calcinhas na mão. Completamente desprevenida, foi sucessivamente deparada com verdadeiras agruras. E é mais que natural que não tendo tempo para pensar no assunto, tenha apenas resolvido fugir, a enfrentar a realidade. Andou perdida durante uns dias e pior chorou, chorou como nunca à tinha visto chorar. Sou testemunha desse facto e como prova, trago aqui os barris de cerveja sem a respectiva mas cheios de lágrimas.
- Sr. Dr. Juiz esta cena das lágrimas não devia entrar na defesa. Afirma o advogado da acusação.
- Sr. Advogado Facadas chorar faz bem. Responde o Juiz - Continue.
- Aparte do que já foi dito quero apenas acrescentar que esta fase já foi ultrapassada. A minha cliente esta consciente, de que nada pode fazer, o que será será! Aceitou o facto de que cada um tem o que merece ou melhor procura. Cedo a palavra a acusação.
- Sr. Dr. Juiz, a cliente da defesa afirma que foi apanhada desprevenida e vou citar "com as calcinhas na mão". É mais que sabido que estamos a falar de uma mulher, friso adulta. Uma senhora que sabe o quer, que luta e que acima de tudo é justa para consigo. Ora tendo sido apresentados estes factos. Afirmo que deve ser condenada, a vida continua. Não ficou a sua espera e muito menos tem de lhe dar satisfação, o passado é passado, o presente acontece e o futuro, todos nos sabemos é produto dos nossos actos, deve ser condenada, por agarrar-se a ideia, de que todos os finais têm de ser felizes.
- Contesto Sr. Dr. Juiz. Grita a Dr.ª Laudy – A minha cliente tem o direito de acreditar nos finais felizes, na felicidade e até no Pai Natal. Pecou por ingenuidade, infelizmente acontece.
- Feitas as exposições, devo antes de pronunciar a sentença, recomendar que dadas as circunstancias, que no futuro seja mais prudente, que não facilite e que acima de tudo que se proteja. Deixar o seu coração ser atacado dessa forma é mais que ingenuidade, é achar que a vida anda connosco nas palminhas da mão. Minha cara a vida dá-nos beijinhos, faz amor connosco, dá-nos palmadinhas nas costas e as vezes vai buscar-nos ao abismo. Mas toda a gente sabe que "Life is a bitch and you bether whatch out"*
Desta vez o tribunal confirma a sua inocência, mas não volte a repetir esta imprudência.
- Sim Sr. Dr. Juiz. Volto-me para a Laudy aliviada e suspiro. - Não volto mesmo a deixar isto acontecer.
- Vais continuar a acreditar em finais felizes. Pergunta-me ela já a sorrir certa da resposta.
- Sim vou! Até ao fim dos meus dias, vou acreditar que o bem vence o mal, que o amor vence o ódio, e que há sempre uma tampa para cada tacho. Podem não ser as tampas perfeitas mas ninguém o é. Ou serão uns mais que os outros!? Bem fico por aqui senão qualquer dia estou a ser julgada novamente.


*A vida é cabra, temos de estar de olho.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Lost: tradução perdida


Existe algum lugar para onde eu possa ir, onde eu possa estar sem pensar em mais nada, onde possa literalmente parar o tempo? Onde possa deixar de ser eu, para ver tudo com mais clareza? Um lugar onde o tempo e a vida ficam suspensos. Alguém que me diga. Preciso urgentemente de uma resposta. Trata-se de uma questão de equilíbrio mental.


E sabem o quanto esta questão é importante. A do equilíbrio mental. Sabem aquela sensação de que tudo corre a nossa volta e nos continuamos parados só a observar, porque estamos demasiados dormentes para fazer acontecer. É deste desequilíbrio que falo. Deixamos que nós calem, que nos tapem os olhos, que nos roubem o ar. Estamos adormecidos.
Ultimamente sinto que fui assaltada, que alguém me roubou algo e ainda não descobri o quê.
Sinto que perdi a guerra, sem nunca ter entrado numa batalha.
Sinto que perdi e eu tenho mau perder, estou sempre a espera que a derrota, afinal não seja verdadeira, que o meu esforço no fim resultará em vitória.
Aceitar as derrotas é uma virtude, lamento mas essa não faz parte do meu cardápio.
Ingénua pode ser que sim, há muito que acredito em finais felizes. Recuso-me a aceitar historias mal resolvidas, assuntos por discutir, situações complicadas.
Acredito de verdade que todos merecemos ser felizes desde que sejamos puros de coração. E acredito que devemos aceitar as consequências das nossas escolhas desde sejam as que nós desejamos.
Não sei se o meu coração é puro, acho que há espaços com pó, acho que preciso de fazer a limpeza geral. Acima de tudo preciso de encontrar aquele lugar onde o tempo e a vida ficam suspensos e eu sei que deve ficar mesmo ali, ao lado da paragem coração. É a tal questão do equilíbrio mental. Preciso de fugir, esconder-me para depois, sei lá depois sei lá. Mas quem souber que me diga, eu preciso de encontrar o tal lugar. E é urgente!

terça-feira, 17 de julho de 2007

3 ricas perguntas

Em resposta ao texto anterior. Cá vai.


Gostas deles loiros ou morenos? Que tipo de homem te atrai?

Ui ui, que me querem apanhar com esta.
Minha nossa. A resposta é simples. Gosto deles. Arrumadinhos, cuidados, equilibrados. Qualquer homem que tenha em conta o século em que vive, que seja mais do género metrosexual, urbansexual, mas que goste de aventura, de andar descalço na relva, de dançar a chuva, de passar uma tarde a olhar para o pôr-do-sol sol sem se sentir obrigado a dizer uma única palavra, esta convocado.

E não me vou alongar mais, senão ainda alguém se atreve a dizer. “Estavas melhor calada”


Que número é que calças?

37. Não percebi o motivo da pergunta. Será que me vão oferecer sapatos. É pá se assim for na boiinha. Será que posso dar uma sugestão; posso? Gosto de sandálias de salto alto entre os 8 e 10 cm é perfeito. Não gosto daquelas, cujos fios são para amarrar a volta do tornozelo e ainda sobem pela perna. Gosto delas com fios coloridos ou com cristais, como se decorassem os pés.

Descrever um pesadelo?

Ser acordada pelo Mr. Been na minha sesta de tarde de verão. Ok ok podia ser pior mas só me lembro deste. Podia descrever vários cenários, mas não quero traumatizar ninguém é que isto dos pesadelos é contagioso.


Agradeço que não me tenham feito perguntas comprometedoras, para isso já estou cá eu.

Cuidem-se

segunda-feira, 9 de julho de 2007

1000... só um A380 não vai chegar.

Quase que sem dar conta, dou por mim a ver que este blog foi clicado quase 1000 vezes. Estou contente, mas de verdade só me leva a pensar ou melhor analisar estas 1000 vezes. Quem terão sido os passageiros deste voo? Questiono-me e elaboro as possíveis respostas;

Terão sido passageiros de um voo atrasado, sim possivelmente metade deles.
Terão sido passageiros a procura da sua bagagem, sim possivelmente alguns.
Terão sido passageiros a procura do seu destino, sim acredito que também passaram por aqui.
Terão sido passageiros desesperados, marcados, zangados, magoados, sim é certo que terão vindo.
Terão sido passageiros felizes, completos, iluminados, acredito que a maior parte deles sim.
Terão sido passageiros de outros voos a procura de aventura, estou certa que também fazem parte.

Mil passageiros para um voo, que faz tantas escalas é gratificante.

Como vossa assistente de bordo venho agradecer a vossa preferência e convida-los a viajar connosco no futuro.


É um prazer tê-los a bordo.

A visita nr 1000, 1001 e 1002, se assim desejar pode fazer um print screen (imprimir o que visualiza no ecrã, sendo que deve aparecer o contador com os respectivos números) e enviar o dito para o seguinte e-mail voodeprimeiraclasse@gmail.com . Terão direito, se assim desejarem, a formular 3 perguntas, atenção 3 perguntas e não 3 desejos. Não é como a lâmpada mágica, são três perguntas sobre as quais darei a minha sincera resposta neste blog. Não vou ameaça-los, a dizer que se devem conter e não formular perguntas de carácter duvidoso, pois acho que não é necessário, é obvio, aproveitem sejam criativos.




terça-feira, 3 de julho de 2007

O meu filme

Ele levanta a mão, agarra os seus fios de cabelo sedoso e suspira. Afunda a face nos cabelos dela e inspira o seu perfume. Ela encosta-se a ele e fecha os olhos, relaxa. Ele passa os dedos levemente pela sua face desenhando o seu contorno. Desliza as mãos pelos seus braços e aperta-os suavemente. Ela sorri. Volta-se para ele e os seus lábios encontram-se. Beijam-se apaixonadamente. Ele levanta-se e vai buscar uma rosa e coloca-a nos lábios. Ela levanta-se e encaixa-se nos seus braços. Ouve-se música, toca um jazz perdido no tempo. Eles dançam, na verdade deslizam embalados pelo som. Ela move-se sedutoramente e ele ampara-a. Navegam pela suite, já decorada com velas e pétalas de rosas.
Comemoram, não uma data especial, mas sim uma ligação eternizada por este momento.

Estou a visualizar partes de um filme romântico, inspirada levanto-me e decido ser protagonista de um também.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

E o Óscar vai para…

Quero agradecer a todos aqueles que têm tornado a minha vida, um verdadeiro caminho, cheio de emoções de alegria, de momentos de tristeza, mas acima de tudo cheio daquilo que nós apelidamos de amor.
Nos pequenos gestos, desde ao tocarem-me no rosto quando digo alguma tolice, ao despentearem-me quando acho que tive graça, ao olharem-me nos olhos e pedirem-me para prestar atenção. Ao convidarem-me para um café, ao perderem-se nas minhas filosofias e ao apoiarem-me nas minhas diabruras. Não gosto muito, mas há ainda quem me aperte as bochechas, como acto carinhoso.
São trinta anos com muitos dias. Dias de sol e de chuva. Dias em que não me importei com o amanhã e dias que esperei pelo amanhecer doutro.

Deve ser da idade esta coisa de fazer 30 anos não me intimida, mas pôs-me a pensar e dei por mim a contabilizar tudo:

Rugas = 0 ( tenho fotos a comprovar)
Amigos = 2 mãos x 2 mãos bem cheias

Inimigos = não conheço esses gajos.
Dietas = 0
Ex-namorados = são ex não contam.
Ossos partidos = 0
Festas curtidas = Bués

Festas não curtidas = não me lembrem disso
Lágrimas = também é preciso
Sorrisos = as vezes até me doi as bochechas

Grandes bebedeiras = 2 ( e tive direito a plateia)
Beijos roubados = 3 (bem roubados)
Gente que fiz chorar = poucas
Gente que fiz rir = Todos nós temos vocação para palhacinho.
Noites perdidas = não me arrependo.
Loucuras = Já lhes perdi a conta

Sexo, drogas e rock and roll = hum... essa passo
Sonhos realizados = muitos
Sonhos por realizar = muitos
Arrependimentos = raros
Atrevimentos = começam a ser frequentes.



O resultado destes 30 anos é muito, muito positivo. Venham muitos mais 30 e que nesse novo voo haja lugar para todos vocês, pois tenho muito prazer em tê-los na minha companhia.

Apertem os cintos e boa viagem;)