- Sabes o que é difícil, sabes lá tu. Difícil é achar uma agulha num palheiro.
- Tu já procuraste uma agulha num palheiro?
- Não.
- Então não é difícil. Não é difícil, porque não experimentaste.
- Ai sim, então diz lá o que é difícil.
- Difícil é beber 100 cervejas e não ficar bêbado. Isso é que é difícil.
- Ah ah ah, pois é. Mas tu nunca bebeste 100 cervejas de uma vez, portanto também não podes dizer que é difícil.
- Hum, quem disse que eu nunca bebi tanta cerveja.
- Digo eu, que estou quase sempre contigo nas noitadas.
- Olha difícil, é andar na chuva sem chapéu e sair dali sem se molhar.
- Olha, olha, essa também eu. Tens que dizer uma mais difícil.
- Porque?
- Ora, porque essa é demasiado lógica.
- Esta bem…hum difícil, difícil é fumar uma ganza e não ficar ganzado.
- Ah ah ah, isso não é difícil. A isso chama-se a caminho da moca.
- É pá que tu és mesmo parvo, então diz lá uma difícil.
- Difícil, difícil, é eu atirar-me dum penhasco de 200 metros de altura, com pedras lá no fundo, com silvas, e vidros e sair dali sem um arranhão.
- Pois era, mas sabes, acho que isso é mesmo difícil, porque o mais fácil era nem saíres dali vivo.
- Ai isso era, mas olha que mais difícil era depois de morto ir para o céu. Ah, ah, ah…
- Ah, ah, ah, …
- É pá vocês são capazes de se calar com essa conversa, daqui a pouco digo vos eu, o que é mesmo difícil.
- Diz lá o que é.
- É atravessar a pé, a ponte 25 de Abril, ás 4 da manhã com a bebedeira que vocês os dois estão. E ainda por cima morarem em Odivelas e terem gasto o dinheiro todo nas bebidas. Querem experimentar?
- Não deixa estar, essa é mesmo difícil.
(1 ford, 3 moças, 2 moços e duas grandes bebedeiras numa madrugada )
Começo a voar, nesta folha em branco. Ao certo, ainda eu, sou uma folha em branco, já vi uns rabiscos no canto superior direito da folha. Claro está, está certíssimo já tenho quase 30 anos, é bom que já apareça alguma coisa, um risco, uma ruga. Pois é pessoal, atiro-me aqui, completamente aos vossos pés. Um desejo antigo de escrever e de partilhar o que me vai nesta alma. Não farei promessas, logo veremos, o que o céu nos reserva. Não esta muito vento, portanto a descolagem vai ser suave.
quinta-feira, 26 de abril de 2007
quarta-feira, 11 de abril de 2007
É uma trama de vida
03h00 – Olho novamente para o relógio. Que tortura. Fecho os olhos.
03h30 – Devia dormir. Assim vou chegar com uma cara de meter medo ao susto.
04h45 – Falta pouco, mas ainda dá para descansar uns minutos. Fecho os olhos novamente.
05h15 – Tenho tudo arrumado não falta nada, mas sinto que falta tudo. O alarme não tarda nada esta a tocar.
05h29 – Que vida a minha, falta um minuto. É melhor pular da cama.
05h35 – Tomo banho, deixo a água escorrer pelo corpo, e peço que me lave a alma, mas isso demoraria muito tempo, e também muito gel. Deixo-me de tretas e saio do chuveiro.
06h10 – Tenho um voo a minha espera, não posso dormir em pé, tenho de ir. Odeio esta viagem até ao aeroporto. Quantas mais vezes a faço, mais me custa. Estou-me a torturar, tenho de tirar estes pensamentos da minha mente.
07h00 – Tanta gente, este check-in esta apinhado. Posso sempre desistir. Posso sempre voltar para trás. Mas seria cobarde e isso não sou, pelo menos nem vontade para o ser tenho.
07h30 – Olho para as escadas da sala de embarque, tenho de subir. Apresento o BI ao guarda de serviço. Ele olha e sorri, deseja-me boa viagem. Queria antes que ele dissesse “Volta para casa pá, o que é que vais para lá fazer”. Mas não, sinaliza com mão para onde devo seguir. Tão simpático, penso eu. Mas nem a sua simpatia me vai fazer sorrir.
08h00 – Estou dentro do avião, olho para fora, vejo o mar, vejo gente na varanda do aeroporto. Uns choram, outros sorriem. A mim não me apetece sorrir, e chorar seria compreensível, mas mesmo assim embaraçoso.
09h25 – Desembarco em Lisboa. Voltei, coloco o resto da armadura, o combate está a minha espera, na saída das partidas. Respiro fundo e abro os olhos.
Ontem apertei o relógio para ter tempo para todos. Telefonei a quem pude, despedi-me pelo telefone, estive com aqueles que consegui.
Chorei sem lágrimas, pelo momento que vivo. Estou insatisfeita, o ombro amigo ouviu-me e deixo-me falar, não me disse que estava certa nem errada, deixou-me chorar sem lágrimas.
Odeio chorar sem lágrimas, é mais difícil. É saber que, quer chore ou não, o que falta fazer continua por fazer. Esta ali a olhar para mim, como se eu fosse uma criança birrenta. - Ná, ná nana, olha o bebé a chorar! Goza-me o medo com sua irmã a frustração.
Olho para o copo, olho para a noite, olho para quem esta a meu lado e penso que mais posso pedir. Não, não chega, só viver de momentos não chega. Esta na altura de fazer escolhas, de vestir a armadura já gasta de outras batalhas e lutar.
Ergo o corpo, e cumpro o meu destino. Peço que a estrada não acabe, enquanto está durar, o tempo vai ter de se conter.
Chego e despeço-me do luar. Mas porquê, que nas despedidas, normalmente o dia esta radioso ou a noite está deslumbrante. Dava jeito que chovesse era mais dramático, mas teatral.
Vou me deitar e choro novamente sem lágrimas, estou de novo a partir. Deixo para trás a promessa de uma vida que não vivo, mas que me parece ser sempre melhor. É aquele recanto que eu sei, que aconteça o que acontecer, será bom voltar.
Fico dividida entre a razão e o coração. Penso no meu trajecto de vida e questiono-me se é assim que quero estar. Viver com um pé de cada lado da linha. Exausta adormeço.
03h30 – Devia dormir. Assim vou chegar com uma cara de meter medo ao susto.
04h45 – Falta pouco, mas ainda dá para descansar uns minutos. Fecho os olhos novamente.
05h15 – Tenho tudo arrumado não falta nada, mas sinto que falta tudo. O alarme não tarda nada esta a tocar.
05h29 – Que vida a minha, falta um minuto. É melhor pular da cama.
05h35 – Tomo banho, deixo a água escorrer pelo corpo, e peço que me lave a alma, mas isso demoraria muito tempo, e também muito gel. Deixo-me de tretas e saio do chuveiro.
06h10 – Tenho um voo a minha espera, não posso dormir em pé, tenho de ir. Odeio esta viagem até ao aeroporto. Quantas mais vezes a faço, mais me custa. Estou-me a torturar, tenho de tirar estes pensamentos da minha mente.
07h00 – Tanta gente, este check-in esta apinhado. Posso sempre desistir. Posso sempre voltar para trás. Mas seria cobarde e isso não sou, pelo menos nem vontade para o ser tenho.
07h30 – Olho para as escadas da sala de embarque, tenho de subir. Apresento o BI ao guarda de serviço. Ele olha e sorri, deseja-me boa viagem. Queria antes que ele dissesse “Volta para casa pá, o que é que vais para lá fazer”. Mas não, sinaliza com mão para onde devo seguir. Tão simpático, penso eu. Mas nem a sua simpatia me vai fazer sorrir.
08h00 – Estou dentro do avião, olho para fora, vejo o mar, vejo gente na varanda do aeroporto. Uns choram, outros sorriem. A mim não me apetece sorrir, e chorar seria compreensível, mas mesmo assim embaraçoso.
09h25 – Desembarco em Lisboa. Voltei, coloco o resto da armadura, o combate está a minha espera, na saída das partidas. Respiro fundo e abro os olhos.
Ontem apertei o relógio para ter tempo para todos. Telefonei a quem pude, despedi-me pelo telefone, estive com aqueles que consegui.
Chorei sem lágrimas, pelo momento que vivo. Estou insatisfeita, o ombro amigo ouviu-me e deixo-me falar, não me disse que estava certa nem errada, deixou-me chorar sem lágrimas.
Odeio chorar sem lágrimas, é mais difícil. É saber que, quer chore ou não, o que falta fazer continua por fazer. Esta ali a olhar para mim, como se eu fosse uma criança birrenta. - Ná, ná nana, olha o bebé a chorar! Goza-me o medo com sua irmã a frustração.
Olho para o copo, olho para a noite, olho para quem esta a meu lado e penso que mais posso pedir. Não, não chega, só viver de momentos não chega. Esta na altura de fazer escolhas, de vestir a armadura já gasta de outras batalhas e lutar.
Ergo o corpo, e cumpro o meu destino. Peço que a estrada não acabe, enquanto está durar, o tempo vai ter de se conter.
Chego e despeço-me do luar. Mas porquê, que nas despedidas, normalmente o dia esta radioso ou a noite está deslumbrante. Dava jeito que chovesse era mais dramático, mas teatral.
Vou me deitar e choro novamente sem lágrimas, estou de novo a partir. Deixo para trás a promessa de uma vida que não vivo, mas que me parece ser sempre melhor. É aquele recanto que eu sei, que aconteça o que acontecer, será bom voltar.
Fico dividida entre a razão e o coração. Penso no meu trajecto de vida e questiono-me se é assim que quero estar. Viver com um pé de cada lado da linha. Exausta adormeço.
segunda-feira, 2 de abril de 2007
Los que comentam ( acho que é assim que se escreve)
Caros amigos e leitores da bloglândia,
Venho por este meio agradecer, não só o número de visitas como também o número de comentários.
Pelo número de comentários? Perguntam vocês, mas são tão pouquinhos. Pois é, são poucos mas bons, e representam minutos gastos a pensar, a gastar calorias e no fim para dizerem que gostaram, que discordam ou até que ficam a espera de mais. O meu muito obrigado.
Mas e há sempre um mas, queria pedir que não me enviassem comentários sobre o que lêem, para os e-mails do trabalho ou mensagens para o telemóvel. Fico sempre tentada a responder e quando não o faço sinto-me culpada. A não ser que seja mesmo um segredinho (e vocês sabem que nesse caso tem mesmo de ser), estejam a vontade para comentar aqui. É mais fixe, motiva-me, e sempre me põem um sorriso na cara …ou não.
Falando de exemplos mais concretos o texto “ Tentação senhora do meu prazer” suscitou muita empolgação, e eu compreendo. Gostam de festa, se eu não vós conhecesse. E sei que estão a espera de mais “sem vergolhice” da minha parte. Sabem muito, querem ver se me apanham. Mas vamos devagar.
Recebi comentários, desde a facção mais liberal, a mais conservadora. Sim, é verdade também ouvi sermões a conta dele. Mas os comentários não aparecem aqui, pois só a Las Vegas comentou, o resto do pessoal divertiu-se a mandar-me mensagens para o telelé. Sejamos bondosos e venham também aqui partilhar a vossa luxúria. Santinhos!
Por falar neste texto, quero agradecer ao senhor ou menino (espero mesmo que tenha sido um senhor ou menino, pois no feminino custa-me aceitar a ideia), que enviou os morangos e a garrafa de champanhe para o meu trabalho, foi lindo mas o cartão só dizia “ saboreámos” e mais nada. Foi um gesto simpático e anónimo. Gostei da gracinha original, mas como devem calcular tive de comer e beber sozinha ou quase sozinha. E já agora aproveito para dizer que também gosto de Jaguares. Quem sabe não me aparece um a porta de casa.
Bem ajam!
Venho por este meio agradecer, não só o número de visitas como também o número de comentários.
Pelo número de comentários? Perguntam vocês, mas são tão pouquinhos. Pois é, são poucos mas bons, e representam minutos gastos a pensar, a gastar calorias e no fim para dizerem que gostaram, que discordam ou até que ficam a espera de mais. O meu muito obrigado.
Mas e há sempre um mas, queria pedir que não me enviassem comentários sobre o que lêem, para os e-mails do trabalho ou mensagens para o telemóvel. Fico sempre tentada a responder e quando não o faço sinto-me culpada. A não ser que seja mesmo um segredinho (e vocês sabem que nesse caso tem mesmo de ser), estejam a vontade para comentar aqui. É mais fixe, motiva-me, e sempre me põem um sorriso na cara …ou não.
Falando de exemplos mais concretos o texto “ Tentação senhora do meu prazer” suscitou muita empolgação, e eu compreendo. Gostam de festa, se eu não vós conhecesse. E sei que estão a espera de mais “sem vergolhice” da minha parte. Sabem muito, querem ver se me apanham. Mas vamos devagar.
Recebi comentários, desde a facção mais liberal, a mais conservadora. Sim, é verdade também ouvi sermões a conta dele. Mas os comentários não aparecem aqui, pois só a Las Vegas comentou, o resto do pessoal divertiu-se a mandar-me mensagens para o telelé. Sejamos bondosos e venham também aqui partilhar a vossa luxúria. Santinhos!
Por falar neste texto, quero agradecer ao senhor ou menino (espero mesmo que tenha sido um senhor ou menino, pois no feminino custa-me aceitar a ideia), que enviou os morangos e a garrafa de champanhe para o meu trabalho, foi lindo mas o cartão só dizia “ saboreámos” e mais nada. Foi um gesto simpático e anónimo. Gostei da gracinha original, mas como devem calcular tive de comer e beber sozinha ou quase sozinha. E já agora aproveito para dizer que também gosto de Jaguares. Quem sabe não me aparece um a porta de casa.
Bem ajam!
quinta-feira, 29 de março de 2007
Tentação senhora do meu prazer
Contou me uma amiga sobre o facto, de alguém que ela gosta muito ter-lhe feito uma surpresa no trabalho. Deu lá um saltinho só para lhe dizer que tinha saudades dela, que sentia a sua falta. Esta pessoa é mais que um amigo, é o tal, mas por razões, que só a vida sabe complicar, tanto ela como o tal vão ter de esperar.
E porque vós estou a contar isto, por uma simples razão, quando ela estava a contar a situação, comecei a pensar em como a tentação é lixada.
Amigos a tentação têm um gosto muito bom! Eu não vós estou a dizer nada de novo.
Mas a tentação é lixada. Ela surge na maior parte das vezes de surpresa. Como um felino, fica a espreita. E ataca sem dó nem piedade.
Quando estamos fortes, conseguimos resisti-la ou saboreá-la, como costumamos dizer, com os pés bem assentes na terra. Ou até se for preciso nem damos por ela.
Mas, e este mas, é o da questão. Quando sentimos falta de algo e aqui estou a falar principalmente de alimento para o coração e consequentemente algo mais carnal. A tentação delicia-nos com o prato principal do nosso desejo.
Estão a ver os restaurantes japoneses com a passadeira da comida. Isso mesmo. Imaginem nós os tentados bem sentados, a sermos tentados não por comida, mas sim pelo fruto da nossa tentação e este vai passando alternadamente como se fosse um prato japonês. Ai que eu como, ai que lhe ponho a mão, ai que não aguento! Anda cá.
Frente a tentação podemos agir como freiras ou monges literalmente. Cegos, surdos, insensíveis. Ou então podemos saboreá-la, como se a gula fosse o pecado mais doce.
Quantas vezes ficamos a olhar para o telefone, a espera que por magia ele toque e do outro lado esteja o que desejamos. Ou então como zombies ficamos a espera que os números juntem-se como por magia a chamar aquela pessoa, que não é a que podemos ter, mas que ao ouvir a sua voz sentimos no céu. Acordamos e percebemos que isso da magia não acontece. E ai carregamos avidamente nas teclas finalmente decididos e tchan tchan. Uma voz, um convite…
Quantas vezes, fugimos a mais um beijo, quando já houve tantos, só por que existe um amanhã.
Quantas vezes cedemos a tentação, por só nesse lugar proibido nós sentimos felizes.
Gosto da tentação:
Gosto de olhar para o que não devo. E dar essa alegria aos meus olhos.
Gosto de beijar a quem quero, mesmo sabendo que não devo.
Gosto de sentir a quem desejo, mesmo sabendo que mais tarde vou chorar pela sua falta.
Gosto de ceder a tentação, faz me sentir viva, faz me sentir desejada, faz me sentir feliz.
Gosto de provocar a tentação, com o olhar, com o sorriso ou com aqueles tiques que só o outro conhece na intimidade.
Gosto ou gostamos todos. Falo por mim, mas posso bem por a mão no fogo por alguns de vocês.
Quanto a minha amiga sei que ele é a sua tentação. Sei que por ele, ela mudaria o mundo. Sei que por ele, ela renunciaria a um princípio. Mas sei que por isso mesmo, ela seria mais feliz.
Quanto a mim podem começar a pegar no telefone e tentarem-me. Quem apostar no champanhe e morangos já tem meio caminho ganho.
E porque vós estou a contar isto, por uma simples razão, quando ela estava a contar a situação, comecei a pensar em como a tentação é lixada.
Amigos a tentação têm um gosto muito bom! Eu não vós estou a dizer nada de novo.
Mas a tentação é lixada. Ela surge na maior parte das vezes de surpresa. Como um felino, fica a espreita. E ataca sem dó nem piedade.
Quando estamos fortes, conseguimos resisti-la ou saboreá-la, como costumamos dizer, com os pés bem assentes na terra. Ou até se for preciso nem damos por ela.
Mas, e este mas, é o da questão. Quando sentimos falta de algo e aqui estou a falar principalmente de alimento para o coração e consequentemente algo mais carnal. A tentação delicia-nos com o prato principal do nosso desejo.
Estão a ver os restaurantes japoneses com a passadeira da comida. Isso mesmo. Imaginem nós os tentados bem sentados, a sermos tentados não por comida, mas sim pelo fruto da nossa tentação e este vai passando alternadamente como se fosse um prato japonês. Ai que eu como, ai que lhe ponho a mão, ai que não aguento! Anda cá.
Frente a tentação podemos agir como freiras ou monges literalmente. Cegos, surdos, insensíveis. Ou então podemos saboreá-la, como se a gula fosse o pecado mais doce.
Quantas vezes ficamos a olhar para o telefone, a espera que por magia ele toque e do outro lado esteja o que desejamos. Ou então como zombies ficamos a espera que os números juntem-se como por magia a chamar aquela pessoa, que não é a que podemos ter, mas que ao ouvir a sua voz sentimos no céu. Acordamos e percebemos que isso da magia não acontece. E ai carregamos avidamente nas teclas finalmente decididos e tchan tchan. Uma voz, um convite…
Quantas vezes, fugimos a mais um beijo, quando já houve tantos, só por que existe um amanhã.
Quantas vezes cedemos a tentação, por só nesse lugar proibido nós sentimos felizes.
Gosto da tentação:
Gosto de olhar para o que não devo. E dar essa alegria aos meus olhos.
Gosto de beijar a quem quero, mesmo sabendo que não devo.
Gosto de sentir a quem desejo, mesmo sabendo que mais tarde vou chorar pela sua falta.
Gosto de ceder a tentação, faz me sentir viva, faz me sentir desejada, faz me sentir feliz.
Gosto de provocar a tentação, com o olhar, com o sorriso ou com aqueles tiques que só o outro conhece na intimidade.
Gosto ou gostamos todos. Falo por mim, mas posso bem por a mão no fogo por alguns de vocês.
Quanto a minha amiga sei que ele é a sua tentação. Sei que por ele, ela mudaria o mundo. Sei que por ele, ela renunciaria a um princípio. Mas sei que por isso mesmo, ela seria mais feliz.
Quanto a mim podem começar a pegar no telefone e tentarem-me. Quem apostar no champanhe e morangos já tem meio caminho ganho.
quarta-feira, 21 de março de 2007
De regresso...
De volta a Lisboa, respiro o ar de que já tinha saudades. De repente vejo-me a regressar ao passado e relembro os lugares onde vivi.
Recordo a minha infância em Africa e escrevo isto a sorrir, pareço o pessoal que viveu nas ex-colónias no tempo da paz a falar. Pois eu também, com 29 anos em cima, digo que recordo da minha infância em Africa para ser mais concreta em Benguela.
Benguela tem um cheiro especial, tudo parece não ter pressa, a vida corre devagar. É uma cidade encantadora, sedutora, acolhedora.
Lembro-me de ter cinco anos, do jardim com grandes palmeiras em frente da minha casa, onde eu corria atrás dos passarinhos, tinha mesmo uma tara por passarinhos. De vez em quando conseguia apanhar um e lá feliz da vida levava-o para casa. Tomava conta dele. Dava-lhe de comer e dava-lhe banho. Enfim, acabava por matar o triste coitado com as regras que me eram impostas. “Eu também tenho de comer, mesmo quando não quero e tenho de tomar banho”. Explicava a chorar ao meu pai, quando este me dizia que não podia dar banho aos pássaros pois morriam e que não os devia trazer para casa. O lugar deles era na rua onde podiam ser livres, o meu também pensava eu.
Lembro-me do meu pai ir deixar-me à escola. Vestia o meu uniforme, calções azul anil e camisola azul-bebé, levava o meu banquinho. Na minha escola, não havia carteiras, cada um levava o seu banquinho. Onde se sentava e com o caderno no colo, lá fazíamos as nossas primeiras letras.
Como morava a duas ruas dali, bastava eu ter a certeza que o meu pai já estava longe, para aproveitar a primeira oportunidade de fugir. Não é que eu não gostasse da escola, mas brincar na rua era muito melhor.
Lembro-me quando esta liberdade acabou. A empregada de casa decidiu acabar com a minha anarquia e contou ao meu pai, a baldas que a filha era. Não me lembro do raspanete, essa é das coisas boas, esqueci-me da maior parte deles.
Há poucos anos voltei a Benguela e umas das visitas que fiz, foi à minha professora da pré - primária, obviamente obrigada pelo meu pai. A senhora só sabia que eu era filha dele, mas não se lembrava das minhas peripécias. O meu pai fez o favor de as recordar.
“Não se lembra dela fugir da escola e eu ter de vigia-la do outro lado da rua”, “Não me lembro, mas a rapariga parece tão boazinha” E eu a sorrir com ar de anjo não fosse ela dar-me umas reguadas. “ Pois, parece”- dizia o meu pai.
Do dia de parti de Benguela não me recordo. Deve ter sido um dia normal sem me aperceber da grande viragem, que a partida traria a minha vida. No coração guardei os pássaros, no sangue a música, nos pés a dança africana.
Recordo a minha infância em Africa e escrevo isto a sorrir, pareço o pessoal que viveu nas ex-colónias no tempo da paz a falar. Pois eu também, com 29 anos em cima, digo que recordo da minha infância em Africa para ser mais concreta em Benguela.
Benguela tem um cheiro especial, tudo parece não ter pressa, a vida corre devagar. É uma cidade encantadora, sedutora, acolhedora.
Lembro-me de ter cinco anos, do jardim com grandes palmeiras em frente da minha casa, onde eu corria atrás dos passarinhos, tinha mesmo uma tara por passarinhos. De vez em quando conseguia apanhar um e lá feliz da vida levava-o para casa. Tomava conta dele. Dava-lhe de comer e dava-lhe banho. Enfim, acabava por matar o triste coitado com as regras que me eram impostas. “Eu também tenho de comer, mesmo quando não quero e tenho de tomar banho”. Explicava a chorar ao meu pai, quando este me dizia que não podia dar banho aos pássaros pois morriam e que não os devia trazer para casa. O lugar deles era na rua onde podiam ser livres, o meu também pensava eu.
Lembro-me do meu pai ir deixar-me à escola. Vestia o meu uniforme, calções azul anil e camisola azul-bebé, levava o meu banquinho. Na minha escola, não havia carteiras, cada um levava o seu banquinho. Onde se sentava e com o caderno no colo, lá fazíamos as nossas primeiras letras.
Como morava a duas ruas dali, bastava eu ter a certeza que o meu pai já estava longe, para aproveitar a primeira oportunidade de fugir. Não é que eu não gostasse da escola, mas brincar na rua era muito melhor.
Lembro-me quando esta liberdade acabou. A empregada de casa decidiu acabar com a minha anarquia e contou ao meu pai, a baldas que a filha era. Não me lembro do raspanete, essa é das coisas boas, esqueci-me da maior parte deles.
Há poucos anos voltei a Benguela e umas das visitas que fiz, foi à minha professora da pré - primária, obviamente obrigada pelo meu pai. A senhora só sabia que eu era filha dele, mas não se lembrava das minhas peripécias. O meu pai fez o favor de as recordar.
“Não se lembra dela fugir da escola e eu ter de vigia-la do outro lado da rua”, “Não me lembro, mas a rapariga parece tão boazinha” E eu a sorrir com ar de anjo não fosse ela dar-me umas reguadas. “ Pois, parece”- dizia o meu pai.
Do dia de parti de Benguela não me recordo. Deve ter sido um dia normal sem me aperceber da grande viragem, que a partida traria a minha vida. No coração guardei os pássaros, no sangue a música, nos pés a dança africana.
terça-feira, 6 de março de 2007
Conhaque e Serra Nevada.
Parto hoje para Serra Nevada, vou em trabalho. Já vejo os sorrisos na cara, a pensarem és sempre o mesmo, dizes sempre isso, que é trabalho. Mas vais andar lá a passear e tal.
Pois é verdade vou andar lá passear com horas marcadas para tudo. É trabalho mesmo, tenho horas para me levantar, comer, trabalhar, divertir e dormir. A diferença é que é na Serra Nevada.
Vou com um grupo de colegas da mesma profissão, pessoas que na maior parte delas nunca vi, e com as quais vou ter de acordar, comer, trabalhar, divertir e até dormir. Á pois é, dormir. Antes de fazer a viagem, peço sempre a sorte, para que quem compartilhe o quarto comigo poupe-me destas cenas:
1º Não ressone
2º Não cheire mal
3º Não seja louco (literalmente)
Parece mal, eu dizer isto mais é importante, se ressonar não vou conseguir dormir, se cheirar mal não vou conseguir respirar, se for louco, bom ai já tenho estratégia, “para um louco, louco e meio”. Á pois é!
Do programa da viagem faz obviamente parte a pratica de Ski. Amigos, eu nunca esquiei, mas já estou preparada, informei-me sobre o Manual de Principiante de Ski.
1º Equipar-se como um boneco da Michellin e quanto mais colorido for o fato melhor. Em caso de avalanche pode ser que dê nas vistas.
2º Preparar a traseira do fato com uma almofada. Vai ter muita utilidade.
3º Calçar os Skis numa zona plana. Essencialíssimo.
4º Preparar-se para iniciar a pratica facílima que é Esquiar e começamos assim: Ski bunda, Ski quase que parti a carola, Ski ai que partia um braço, Ski quase que saltaram os dentes, Ski que me parto todo.
5 º Ao final do 5º dia está lá, todo partido, dorido, mas já anda 2 metros sem cair.
Eu por mim, fazia esta viagem doutra forma. Eu num bungalow daqueles feitos de madeira, sentada a beira da lareira, um bom copo de vinho madeira, a ver a neve lá fora e muito bem acompanhada. É só o que eu me lembro quando penso em neve. E vocês?
Mas como diz o ditado. Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque. Até a volta.
Pois é verdade vou andar lá passear com horas marcadas para tudo. É trabalho mesmo, tenho horas para me levantar, comer, trabalhar, divertir e dormir. A diferença é que é na Serra Nevada.
Vou com um grupo de colegas da mesma profissão, pessoas que na maior parte delas nunca vi, e com as quais vou ter de acordar, comer, trabalhar, divertir e até dormir. Á pois é, dormir. Antes de fazer a viagem, peço sempre a sorte, para que quem compartilhe o quarto comigo poupe-me destas cenas:
1º Não ressone
2º Não cheire mal
3º Não seja louco (literalmente)
Parece mal, eu dizer isto mais é importante, se ressonar não vou conseguir dormir, se cheirar mal não vou conseguir respirar, se for louco, bom ai já tenho estratégia, “para um louco, louco e meio”. Á pois é!
Do programa da viagem faz obviamente parte a pratica de Ski. Amigos, eu nunca esquiei, mas já estou preparada, informei-me sobre o Manual de Principiante de Ski.
1º Equipar-se como um boneco da Michellin e quanto mais colorido for o fato melhor. Em caso de avalanche pode ser que dê nas vistas.
2º Preparar a traseira do fato com uma almofada. Vai ter muita utilidade.
3º Calçar os Skis numa zona plana. Essencialíssimo.
4º Preparar-se para iniciar a pratica facílima que é Esquiar e começamos assim: Ski bunda, Ski quase que parti a carola, Ski ai que partia um braço, Ski quase que saltaram os dentes, Ski que me parto todo.
5 º Ao final do 5º dia está lá, todo partido, dorido, mas já anda 2 metros sem cair.
Eu por mim, fazia esta viagem doutra forma. Eu num bungalow daqueles feitos de madeira, sentada a beira da lareira, um bom copo de vinho madeira, a ver a neve lá fora e muito bem acompanhada. É só o que eu me lembro quando penso em neve. E vocês?
Mas como diz o ditado. Trabalho é trabalho, conhaque é conhaque. Até a volta.
quinta-feira, 1 de março de 2007
Bem vindos a Paris
Já tinha passado algum tempo desde a última vez que ela o vira, parecia mais alto, estava moreno e principalmente feliz.
Encontravam-se no terminal das malas, mas ela estranhara o facto de ainda não o ter visto, o mas certo era terem vindo no mesmo voo.
Ele aproximava-se para a cumprimentar, olhava-a nos olhos como a dizer não me fujas. Ela sentia o coração a bater cada vez mais rápido, e as malas que não chegavam. Sentia-o cada vez mais perto, o telemóvel toca, que sorte pensa ela, ganhou mais uns instantes.
Mas ele não se atrapalha, avança devagar como que a sonda-la, aproxima-se dela e beija-lhe a face. Ela afasta-se e faz-lhe sinal que está ao telemóvel.
Ele entende, mas não se detém, aproveita este momento vulnerável dela e abraça-a. Ouve-a a gaguejar, fala de uma reunião, diz que chegou bem.
A voz dela, que saudades da voz dela. Ele encosta a face ao seu pescoço, sente o seu perfume é o mesmo de sempre. Afinal como ela sempre dizia, era fiel ao seu perfume, e como ele adorava isso nela. Já por varias vezes esse aroma o enganara. Pensava estar na presença dela sempre que o sentia.
Já estava com o pensamento no passado, quando sentiu ela afastar-se.
Olhou para ele nos olhos, sorriu. Soltou um frio: - Olá tudo bem. Ao qual ele respondeu, que sim. Ficaram em silêncio, ele sorria, ela desvia o olhar para a passadeira, que entretanto já começara a distribuir as malas.
Ele admira-a tanto, tinha um fascínio por este lado frio dela, super controlada. Sabia sempre o que dizer, ela deixava-o inseguro, desesperado, sem chão, mas ao mesmo tempo, fazia-o sentir bem, dono do mundo. Para isso bastava olha-lo sem aquela dureza toda. E era isso que esperava agora, que essa dureza desaparecesse num olhar meigo, num sorriso sentido.
Ela corta o silêncio, perguntando o que fazia ele em Paris naquela altura do ano. Ele sorri, e diz-lhe que vinha a procura dela. Ela finalmente sorri de verdade, as pequenas graças dele sempre a fizeram sorrir. Volta-se para ele:
- Não mudaste nada!
- É verdade, tento não mudar, quero continuar o mesmo por quem te apaixonaste.
- Como é possível, que toda a vez que nós encontramos, tocas nesse assunto. Já se passaram anos.
- Do mesmo modo que ainda é possível eu querer-te.
- Deixa-te disso, tenho de ir, a minha mala já chegou.
- Vai, não te prendo mais, mas ao menos dá-me um beijo. Diz que estás contente por me ver.
- Para de pedinchar eu não te pertenço.
- Ainda não!
Ela agarra a mala com toda a rapidez que pode, volta-se para ele e sorri, detesta quando ele tem razão. Corada começa andar no sentido das portas de saída.
- Até logo. Diz ele a sorrir
Encontravam-se no terminal das malas, mas ela estranhara o facto de ainda não o ter visto, o mas certo era terem vindo no mesmo voo.
Ele aproximava-se para a cumprimentar, olhava-a nos olhos como a dizer não me fujas. Ela sentia o coração a bater cada vez mais rápido, e as malas que não chegavam. Sentia-o cada vez mais perto, o telemóvel toca, que sorte pensa ela, ganhou mais uns instantes.
Mas ele não se atrapalha, avança devagar como que a sonda-la, aproxima-se dela e beija-lhe a face. Ela afasta-se e faz-lhe sinal que está ao telemóvel.
Ele entende, mas não se detém, aproveita este momento vulnerável dela e abraça-a. Ouve-a a gaguejar, fala de uma reunião, diz que chegou bem.
A voz dela, que saudades da voz dela. Ele encosta a face ao seu pescoço, sente o seu perfume é o mesmo de sempre. Afinal como ela sempre dizia, era fiel ao seu perfume, e como ele adorava isso nela. Já por varias vezes esse aroma o enganara. Pensava estar na presença dela sempre que o sentia.
Já estava com o pensamento no passado, quando sentiu ela afastar-se.
Olhou para ele nos olhos, sorriu. Soltou um frio: - Olá tudo bem. Ao qual ele respondeu, que sim. Ficaram em silêncio, ele sorria, ela desvia o olhar para a passadeira, que entretanto já começara a distribuir as malas.
Ele admira-a tanto, tinha um fascínio por este lado frio dela, super controlada. Sabia sempre o que dizer, ela deixava-o inseguro, desesperado, sem chão, mas ao mesmo tempo, fazia-o sentir bem, dono do mundo. Para isso bastava olha-lo sem aquela dureza toda. E era isso que esperava agora, que essa dureza desaparecesse num olhar meigo, num sorriso sentido.
Ela corta o silêncio, perguntando o que fazia ele em Paris naquela altura do ano. Ele sorri, e diz-lhe que vinha a procura dela. Ela finalmente sorri de verdade, as pequenas graças dele sempre a fizeram sorrir. Volta-se para ele:
- Não mudaste nada!
- É verdade, tento não mudar, quero continuar o mesmo por quem te apaixonaste.
- Como é possível, que toda a vez que nós encontramos, tocas nesse assunto. Já se passaram anos.
- Do mesmo modo que ainda é possível eu querer-te.
- Deixa-te disso, tenho de ir, a minha mala já chegou.
- Vai, não te prendo mais, mas ao menos dá-me um beijo. Diz que estás contente por me ver.
- Para de pedinchar eu não te pertenço.
- Ainda não!
Ela agarra a mala com toda a rapidez que pode, volta-se para ele e sorri, detesta quando ele tem razão. Corada começa andar no sentido das portas de saída.
- Até logo. Diz ele a sorrir
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007
"Um dia a maioria de nós irá separar-se" ( V.M. ou F. P.)
É certo que valorizo muito a amizade, porque para mim, é o que mais se aproxima a um amor incondicional e puro.
Recebi uma mensagem que faz parte de uma muito maior, e quis partilhar. Reparei que no mundo bloguista esta mensagem já foi mais que exibida, mas entenderão, o porque de eu a mencionar também. Há quem afirme, que a autoria do texto é de Fernando Pessoa, outros afirmam ser de Vinicius de Morais. A verdade é que parece ser deste último. Enfim, a mensagem é simples, escreve uma carta, liga a dar um olá, aparece, porque “ um dia a maioria de nós irá separar-se”.
Dedicada a cada um de vós que preenche o meu coração. Bem ajam.
Versão sms:
“ Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
A alguns deles às vezes não os procuro, nem sei porque! Mas preciso saber que eles existem.
Esta mera condição encoraja-me a seguir em frente pela vida!
Mas é delicioso que eu saiba que os adoro, embora não declare e não os procure sempre!”
Versão completa:
"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objecto dela se divida em outros afectos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que
tivessem morrido todos os meus amores, mas
enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e
o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crónica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficaria tonto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigido ao meu bem-estar.
Ele é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, caí-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é
que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos e, principalmente
os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os."
P.S. Muito obrigada S.B.
Recebi uma mensagem que faz parte de uma muito maior, e quis partilhar. Reparei que no mundo bloguista esta mensagem já foi mais que exibida, mas entenderão, o porque de eu a mencionar também. Há quem afirme, que a autoria do texto é de Fernando Pessoa, outros afirmam ser de Vinicius de Morais. A verdade é que parece ser deste último. Enfim, a mensagem é simples, escreve uma carta, liga a dar um olá, aparece, porque “ um dia a maioria de nós irá separar-se”.
Dedicada a cada um de vós que preenche o meu coração. Bem ajam.
Versão sms:
“ Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
A alguns deles às vezes não os procuro, nem sei porque! Mas preciso saber que eles existem.
Esta mera condição encoraja-me a seguir em frente pela vida!
Mas é delicioso que eu saiba que os adoro, embora não declare e não os procure sempre!”
Versão completa:
"Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor,
eis que permite que o objecto dela se divida em outros afectos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que
tivessem morrido todos os meus amores, mas
enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e
o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crónica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E às vezes, quando os procuro, noto que eles não têm noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer, eu ficaria tonto para um lado.
Se todos eles morrerem, eu desabo!
Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigido ao meu bem-estar.
Ele é, talvez, fruto do meu egoísmo.
Por vezes mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, caí-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é
que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,
morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo,
todos os meus amigos e, principalmente
os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os."
P.S. Muito obrigada S.B.
sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007
Ai felicidade, todos nos queremos… ( Hélder, o Rei do Kuduro)
Acordei a pensar na felicidade. Podia pensar no dia que ia enfrentar, mas não, a felicidade tomou conta dos meus pensamentos. Enquanto corria pela casa a arranjar-me para a lida laboral. Pensei na minha felicidade, no que já alcancei, e no que me falta alcançar.
Pensei nas pessoas que me rodeiam, o que faço eu nas suas vidas e o que fazem eles na minha. Dei por mim a pensar nos amigos que perdi, nos conhecidos que não passam disso, e em pessoas com as quais me cruzo todos os dias e que não passam disso, pessoas com as quais eu me cruzo todos os dias.
Lembrei-me de duas pessoas amigas que desapareceram da minha vida, por meras palavras, atitudes erradas na hora errada. Lembrei-me não porque me fazem falta, mas porque gostava de tê-las comigo no coração e não na lembrança.
Costumo dizer que custa tão pouco fazer alguém feliz, mas o mesmo acontece quando se quer pôr uma lágrima no rosto de alguém.
Já causei momentos de infelicidade a algumas pessoas, não foram muitas, mas aconteceu. De verdade sei que fiz muitas mais felizes as vezes só pelo sacrifício de estar onde não queria estar.
Mas é assim mesmo, a felicidade esta aliada ao sacrifício, a vontade e ao desejo. Temos desejo de ser felizes, temos vontade de ser felizes, mas quanto ao sacrifício bem isso é outra coisa.
As vezes dizem-me em tom desabafo: Gostava de ser assim feliz! E eu digo logo: Então sê! Atira-te de corpo e alma a esse desejo. A felicidade ocorre em momentos pontuais na nossa vida. Isso é mais que sabido. Mas construir esses momentos, requer dedicação, requer muitas vezes renúncia. Renunciar a falsas felicidades, aquela felicidade que só dura porque uma das partes está a ser iludida.
Sim existe essa felicidade também, aquela em que nós sabemos no fundo que não devia ser assim, que algo esta errado, mas ainda assim deixamo-nos levar, porque pensamos que antes assim que infeliz. Na verdade só estamos adiar a felicidade.
Já vi pessoas a mudarem de país, a mudarem a vida toda, a lutarem em prol da felicidade, que na verdade não dura para sempre, nem é igual para todos. Mas que aliada a ela, esta aquela sensação de bem-estar. Que não é felicidade, mas é uma sensação boa, a qual podemos chamar ser feliz.
A vida ensina-nos que, não devemos construir a nossa felicidade em cima da dos outros. A vida ensina-nos que, a felicidade brilha mais quando conquistada. A vida ensina-nos que, a vida é demasiado curta para a vivermos demasiado tempo na infelicidade e tão pouco tempo a lutar pela felicidade.
Ser feliz custa, mas vale bem a pena.
Pensei nas pessoas que me rodeiam, o que faço eu nas suas vidas e o que fazem eles na minha. Dei por mim a pensar nos amigos que perdi, nos conhecidos que não passam disso, e em pessoas com as quais me cruzo todos os dias e que não passam disso, pessoas com as quais eu me cruzo todos os dias.
Lembrei-me de duas pessoas amigas que desapareceram da minha vida, por meras palavras, atitudes erradas na hora errada. Lembrei-me não porque me fazem falta, mas porque gostava de tê-las comigo no coração e não na lembrança.
Costumo dizer que custa tão pouco fazer alguém feliz, mas o mesmo acontece quando se quer pôr uma lágrima no rosto de alguém.
Já causei momentos de infelicidade a algumas pessoas, não foram muitas, mas aconteceu. De verdade sei que fiz muitas mais felizes as vezes só pelo sacrifício de estar onde não queria estar.
Mas é assim mesmo, a felicidade esta aliada ao sacrifício, a vontade e ao desejo. Temos desejo de ser felizes, temos vontade de ser felizes, mas quanto ao sacrifício bem isso é outra coisa.
As vezes dizem-me em tom desabafo: Gostava de ser assim feliz! E eu digo logo: Então sê! Atira-te de corpo e alma a esse desejo. A felicidade ocorre em momentos pontuais na nossa vida. Isso é mais que sabido. Mas construir esses momentos, requer dedicação, requer muitas vezes renúncia. Renunciar a falsas felicidades, aquela felicidade que só dura porque uma das partes está a ser iludida.
Sim existe essa felicidade também, aquela em que nós sabemos no fundo que não devia ser assim, que algo esta errado, mas ainda assim deixamo-nos levar, porque pensamos que antes assim que infeliz. Na verdade só estamos adiar a felicidade.
Já vi pessoas a mudarem de país, a mudarem a vida toda, a lutarem em prol da felicidade, que na verdade não dura para sempre, nem é igual para todos. Mas que aliada a ela, esta aquela sensação de bem-estar. Que não é felicidade, mas é uma sensação boa, a qual podemos chamar ser feliz.
A vida ensina-nos que, não devemos construir a nossa felicidade em cima da dos outros. A vida ensina-nos que, a felicidade brilha mais quando conquistada. A vida ensina-nos que, a vida é demasiado curta para a vivermos demasiado tempo na infelicidade e tão pouco tempo a lutar pela felicidade.
Ser feliz custa, mas vale bem a pena.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Check in Bem vindos a bordo
Que entrem todos, são todos meus convidados, ponham os cintos, só pelo sim, deixem o não à porta.
Serei vossa hospedeira, piloto, comandante, mecânico e médica, mas esperemos não precisar. De padre não tenho nada, aqui quem se confessa sou eu, não arregalem os olhos, o melhor está para vir.
Entretanto, chá, café ou laranjada? Quer vodka laranja? Calma amigo, estamos arrancar agora. A menina quer uma almofada? Para dormir, mas que é isto, senhorita, se for para encostar o seu belo pescoço ainda trago uma, agora dormir não. Não feche os olhos, que os filmes que aqui vão passar, são de aguçar a alma.
E o amigo que tão sorridente que esta. Contente por viajar connosco, pois acredito. O que? Deixou a sua lunática companheira lá fora, percebo, fez bem. Aqui quer-se tudo bem disposto. Cara senhora, tenha calma, já vamos levantar voo, sabe os jovens são assim, agitados, nunca tem pressa para nada ou tem pressa para tudo.
O senhor, não o conheço, é meu amigo? Não? Veio por curiosidade, mais que bom. Gosto, gosto sim senhor da sua iniciativa, só por isso vou-lhe fazer um up-grade, passa logo para ali, logo no início da cabine, para ver tudo muito bem. Muito gosto em tê-lo a bordo, esteja a vontade.
Olá, já estava a sentir a vossa falta, queria tanto que estivessem aqui, pois é amigos do peito, são assim poucos, mas sempre presentes. Sonia sei que estás ansiosa, mas já vamos descolar. Cláudia sempre tão elegante, não podias faltar. Cristina essa viagem desde o Alentejo correu bem? Agora podes descansar que as nossas cadeiras são muito boas. Mana, tenta sentar a tua malta na zona da asa é melhor, assim fazem barulho junto com o motor, ficam mais a vontade. Sim Kiki, também vamos para sítios de praia e muito sol como tu gostas. Jorge esse computador só pode ser ligado depois. Simão cá vamos nós para mais uma viagem. Acho que estamos todos não é? Não, não estamos, falta o Gonçalo e o Ysu. Entram na próxima escala, óptimo, eles fazem falta.
Senhores e senhoras bem vindos a bordo a nossa viagem começa hoje, e só a nossa imaginação dirá quando termina.
Serei vossa hospedeira, piloto, comandante, mecânico e médica, mas esperemos não precisar. De padre não tenho nada, aqui quem se confessa sou eu, não arregalem os olhos, o melhor está para vir.
Entretanto, chá, café ou laranjada? Quer vodka laranja? Calma amigo, estamos arrancar agora. A menina quer uma almofada? Para dormir, mas que é isto, senhorita, se for para encostar o seu belo pescoço ainda trago uma, agora dormir não. Não feche os olhos, que os filmes que aqui vão passar, são de aguçar a alma.
E o amigo que tão sorridente que esta. Contente por viajar connosco, pois acredito. O que? Deixou a sua lunática companheira lá fora, percebo, fez bem. Aqui quer-se tudo bem disposto. Cara senhora, tenha calma, já vamos levantar voo, sabe os jovens são assim, agitados, nunca tem pressa para nada ou tem pressa para tudo.
O senhor, não o conheço, é meu amigo? Não? Veio por curiosidade, mais que bom. Gosto, gosto sim senhor da sua iniciativa, só por isso vou-lhe fazer um up-grade, passa logo para ali, logo no início da cabine, para ver tudo muito bem. Muito gosto em tê-lo a bordo, esteja a vontade.
Olá, já estava a sentir a vossa falta, queria tanto que estivessem aqui, pois é amigos do peito, são assim poucos, mas sempre presentes. Sonia sei que estás ansiosa, mas já vamos descolar. Cláudia sempre tão elegante, não podias faltar. Cristina essa viagem desde o Alentejo correu bem? Agora podes descansar que as nossas cadeiras são muito boas. Mana, tenta sentar a tua malta na zona da asa é melhor, assim fazem barulho junto com o motor, ficam mais a vontade. Sim Kiki, também vamos para sítios de praia e muito sol como tu gostas. Jorge esse computador só pode ser ligado depois. Simão cá vamos nós para mais uma viagem. Acho que estamos todos não é? Não, não estamos, falta o Gonçalo e o Ysu. Entram na próxima escala, óptimo, eles fazem falta.
Senhores e senhoras bem vindos a bordo a nossa viagem começa hoje, e só a nossa imaginação dirá quando termina.
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