Sabes o que está a acontecer agora, está a chover e apesar de não estares aqui esta chuva parece-me maravilhosa.
Levei o guarda-chuva para a rua, mas como não chove muito, decidi nem abri-lo. Decidi deixar a chuva aterrar em mim, molhando-me a face, o cabelo, a roupa e os sapatos. Devo parecer louca para quem me vê à chuva, de guarda-chuva na mão. Não me importo, há muito que deixei de me importar com o que pensam. Preocupo-me mais com o que dizem. E hoje está tudo calado, só o chapinhar dos carros e a chuva rompe o silêncio.
Sinto que sou parte da chuva e não me importo se vou ficar doente ou se pareço uma lástima, de repente lembrei-me estou maquilhada.
Há tanto tempo que fujo a chuva , a solidão ao medo. Ando a fugir, reconheço sou uma fugitiva.
Cheguei a casa ensopada. Não importa, sinto que lavei a alma. Tomei um duche e vesti este roupão, com o qual me encosto a janela, a olhar as árvores que hoje parecem mais verdes, para este céu branco e para esta rua que ficou lavada.
Hoje não sinto que estou só, sinto saudades, mas não me sinto só. Este momento é tão completo, que tenho a sensação que estás aqui. Sinto-me bem, sinto-me.
Sopro para o vidro da janela e com ele embaciado escrevo o teu nome.