Hoje escorreguei e bati com o braço numa porta de tal maneira, que a dor me fez cair. Fiquei de joelhos, rendida a dor. Agarrada à ferida aberta que pouco sangrou, mas que se tornará numa estranha cicatriz, como se um pequeno animal selvagem me tivesse arranhado.
Fiquei com as lágrimas a quererem aparecer, incrédula com o tamanho da dor. Sentada a beira da escada analisei o meu percurso. Andei o dia todo longe de mim. Pela manhã ao atravessar a rua, a pensar não sei no quê quase que era atropelada.
Passei o resto do dia a pensar nos ses. E se eu tivesse mesmo sido atropelada o que seria de mim, quem me seguraria, quem me trataria, quem limparia as lágrimas. Provavelmente eu mesma. Não por faltar quem o fizesse, mas porque seria assim.
Depois comecei a pensar e se em vez de um simples acidente eu desaparece-se assim, num minuto. Deixasse este mundo, que seria de mim?. Bem de mim não sei mesmo, mas o que seria dos meus, daqueles a quem faço falta, daqueles que me têm como deles, daqueles a quem toquei. Pensei em ti, no meio de tanta gente pensei em ti, e comecei a chorar porque lembrei-me que já não poderia ter-te no meu colo e os teus cabelos acariciar. No fundo pensei em mim na falta que me farias.
Há dias que mais vale nem falar.
Começo a voar, nesta folha em branco. Ao certo, ainda eu, sou uma folha em branco, já vi uns rabiscos no canto superior direito da folha. Claro está, está certíssimo já tenho quase 30 anos, é bom que já apareça alguma coisa, um risco, uma ruga. Pois é pessoal, atiro-me aqui, completamente aos vossos pés. Um desejo antigo de escrever e de partilhar o que me vai nesta alma. Não farei promessas, logo veremos, o que o céu nos reserva. Não esta muito vento, portanto a descolagem vai ser suave.
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segunda-feira, 27 de julho de 2009
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