Estamos em Novembro e logo logo, é o final do ano. E mais uma vez promessas redondas de uma vida diferente, de uma nova tomada de atitude surgem em toda a gente. Eu para o ano não quero mudar, decidi que estou melhor assim. Assim mesmo, chata, embirrenta, choninhas….para o ano estão já avisados eu serei a mesma.
Pelo menos há uma vantagem, para o ano não há surpresas da minha parte, já sabem com o que contar. Há poucas coisas garantidas na vida, pois esta é mais uma que podem juntar a lista.
No novo ano, vou continuar a ser a mesma deste ano. Vou continuar a não beber café, só garoto clarinho, vou querer o mesmo perfume, o mesmo género de sapato, o mesmo chá. Vou continuar a ir ao chiado, vou continuar a não responder à mensagens, vou continuar a esquecer-me dos convites para sair, tudo isto e também as coisas boas. A sorrir mesmo quando não há motivos, a querer mimos, a chorar quando não consigo aceitar, a correr pelos sonhos, a viver da única maneira que sei, a dar valor a todos os minutos do dia, sejam estes passados a fazer o que amo ou o que não amo.
Não se esqueçam que para o ano, serei a mesma, estão avisados, não gastem o vosso latim a chatear-me os neurónios, porque eu sou assim e sou assado. Para o ano eu sou a mesma, mesmo número, mesmo nome e até quiçá mesmo humor.
Beijos da mesma de sempre.
Começo a voar, nesta folha em branco. Ao certo, ainda eu, sou uma folha em branco, já vi uns rabiscos no canto superior direito da folha. Claro está, está certíssimo já tenho quase 30 anos, é bom que já apareça alguma coisa, um risco, uma ruga. Pois é pessoal, atiro-me aqui, completamente aos vossos pés. Um desejo antigo de escrever e de partilhar o que me vai nesta alma. Não farei promessas, logo veremos, o que o céu nos reserva. Não esta muito vento, portanto a descolagem vai ser suave.
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